QUEM INDENIZA?
JAIME LEITÃO
Os vizinhos da embaixada do Brasil em Tegucigalpa, em Honduras, começam a retornar à vida normal depois de o presidente deposto Manuel Zelaya ter deixado a embaixada após cinco meses. Os comerciantes e profissionais liberais das imediações reclamam dos grandes prejuízos que tiveram porque os clientes sumiram com medo dos confrontos em frente à embaixada.
Uma dentista deixou de atender 70% dos seus clientes, donos de loja praticamente não venderam nada nesse período e assim mesmo tiveram que pagar aluguel, imposto predial e contas de água e luz. Alguns querem que o governo brasileiro lhes pague indenização, outros pedem ao governo do novo presidente Porfírio Lobo, mas praticamente todos exigem que a embaixada mude para novo endereço , com medo de que novos asilados venham a se abrigar lá futuramente.
Os vizinhos têm razão de reclamar, mas quem deve indenizá-los é o governo de Honduras, porque o Brasil já teve muita despesa quando transformou em hotel a embaixada para Zelaya e sua turma. Os hóspedes eram eles e o Brasil é que arcou com os gastos. Dificilmente saberemos quanto custou essa permanência tão longa.
Provavelmente, os vizinhos da embaixada brasileira nunca receberão indenização nenhuma. Tanto lá quanto aqui, indenizar é uma tarefa que o Estado só cumpre depois de muitos anos de processo, isso quando cumpre.
E há muitos outros motivos que justificariam uma indenização. Um assalto, por exemplo. Se uma pessoa é assaltada em casa ou na rua é porque faltou segurança. E quem é responsável pela segurança? Deveria ser o governo estadual, mas não se pode isentar o poder municipal de responsabilidade. Até hoje não conheço ninguém que tenha sido indenizado pelo Poder Público por ter sido vítima de um furto ou assalto. Só quando houver mais processos e mais pressão reivindicando esse ressarcimento é que o Estado se moverá para melhorar a segurança.
As enchentes e os soterramentos são fatos gravíssimos que exigem mais do que nunca indenização, por danos materiais e morais, para famílias que perderam casa, móveis e até parentes soterrados. Geralmente, os prefeitos das cidades mais atingidas aparecem com a desculpa de que está chovendo demais, eximindo-se de qualquer responsabilidade. Mas essa desculpa não cola, já que dá para evitar tamanho estrago com medidas como limpeza de córregos e bueiros.
Quem perdeu os bens e tem seguro residencial e de carro pode recuperar a maior parte do que lhe foi arrancado, mas as grandes vítimas são donos de carros antigos, sem seguro, que ficaram submersos nesses dias de janeiro, e quem possuía casas em áreas de risco, também sem recurso para contratar um seguro.
Depois do desconforto, dos prejuízos, das perdas materiais e humanas, fica no ar a pergunta: quem indeniza?
PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-Dissertação: o cidadão sem o Estado.
2-Narração: O narrador-personagem conta como ficou a sua vida depois de uma enchente, que destruiu a sua casa, o seu carro e todos os seus móveis.
3-Crônica: Para que serve o Estado?
4-Carta ao prefeito de uma cidade, com nome real ou inventado, pedindo ao prefeito que ele lhe garanta uma nova casa e novos móveis depois da enchente que destruiu tudo.
5-Dissertação: Pagar impostos em dia não garante os direitos que deveriam estar implícitos nesse pagamento.
domingo, 31 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
HAITI: REALIDADE E SÍMBOLO
POBRE HAITI
JAIME LEITÃO
O mais pobre país das Américas sofreu na noite da última terça-feira uma das maiores catástrofes da sua história. Não bastassem os terremotos políticos, as ditaduras, como a de François Duvalier, o Papa Doc, e, depois, do seu filho, Baby Doc, durante mais de três décadas, cometendo carnificinas monstruosas, o Haiti também é vítima constante da natureza.
O terremoto que soterrou milhares de pessoas, o mais forte em 200 anos, é explicado geologicamente pelo fato de o país ficar assentado entre duas placas tectônicas. Quando elas se movem e se tocam provocam tragédias incalculáveis.
Ao assistir pelo Youtube aos primeiros vídeos com as imagens da capital Porto Príncipe, após o sismo, fiquei profundamente sensibilizado com o desespero daquelas pessoas que corriam e gritavam sem rumo, enquanto outras jaziam no chão, sem que ninguém pudesse fazer nada.
Comecei a refletir em seguida sobre a vida inglória dessa população de dez milhões de habitantes, que vem ao longo das décadas e dos séculos suportando todo tipo de agressão e assim mesmo mantém com a máxima dificuldade e quase total escassez de recursos um espírito de luta e um apreço pela música e pelas suas tradições.
A morte da médica sanitarista e grande defensora dos pobres Zilda Arns, no terremoto do Haiti, que há décadas viaja pelo Brasil e por outros países lutando contra a desnutrição , representa a tragédia dentro da tragédia. Para o Brasil, perder Zilda Arns significa perder uma das pessoas mais sensíveis às causas sociais, sem demagogia, com trabalho honesto e dedicação permanente.
Enquanto líderes dos países ricos encontram-se periodicamente em reuniões de cúpula para discutir a fome no planeta, sem solucionar o problema, Zilda Arns, que foi candidata ao Nobel da Paz, é um exemplo de que a ação pode ir além do discurso e fazer a diferença entre a erudição vazia e a busca de resultados concretos.
A sua morte no Haiti, ao lado de milhares de haitianos, simboliza o encontro de seres marcados pelo sofrimento com aquela que fez muito durante a sua vida para que a pobreza no mundo diminuísse. Atuou da melhor maneira. Se os que podem fossem na mesma direção, o mundo seria bem menos injusto.
Os que se omitem deveriam se espelhar nessa mulher extraordinária e tornar o Haiti propriamente dito e outros Haitis que há no planeta, inclusive no Brasil, onde a miséria impera ainda em muitos lugares, locais em que a vida humana seja tratada com dignidade.
Sem proporcionar a todos os seres humanos o mínimo para a sua sobrevivência, incorremos em um crime global, que de uma certa forma nos macula a todos. O grito dos haitianos em meio ao terremoto não sai dos meus ouvidos. Uma imagem como essa não trata de números, mas exibe vidas torturadas, ameaçadas, procurando um jeito de sobreviver em meio aos escombros.
PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-Dissertação: Zilda Arns: ação no lugar do discurso.
2-Dissertação: O Haiti é resultado da soma das tragédias: as naturais e as geradas por políticos tiranos e corruptos.
3-Narração: Relato de um jovem universitário, que sobreviveu ao terremoto no Haiti, contando como está iniciando a reconstrução da sua vida e da própria universidade que ficou em escombros após o terremoto.
4-Crônica: Como não se sensibilizar com uma tragédia humana como a que ocorreu no Haiti?
5-Poema: A destruição e a reconstrução
JAIME LEITÃO
O mais pobre país das Américas sofreu na noite da última terça-feira uma das maiores catástrofes da sua história. Não bastassem os terremotos políticos, as ditaduras, como a de François Duvalier, o Papa Doc, e, depois, do seu filho, Baby Doc, durante mais de três décadas, cometendo carnificinas monstruosas, o Haiti também é vítima constante da natureza.
O terremoto que soterrou milhares de pessoas, o mais forte em 200 anos, é explicado geologicamente pelo fato de o país ficar assentado entre duas placas tectônicas. Quando elas se movem e se tocam provocam tragédias incalculáveis.
Ao assistir pelo Youtube aos primeiros vídeos com as imagens da capital Porto Príncipe, após o sismo, fiquei profundamente sensibilizado com o desespero daquelas pessoas que corriam e gritavam sem rumo, enquanto outras jaziam no chão, sem que ninguém pudesse fazer nada.
Comecei a refletir em seguida sobre a vida inglória dessa população de dez milhões de habitantes, que vem ao longo das décadas e dos séculos suportando todo tipo de agressão e assim mesmo mantém com a máxima dificuldade e quase total escassez de recursos um espírito de luta e um apreço pela música e pelas suas tradições.
A morte da médica sanitarista e grande defensora dos pobres Zilda Arns, no terremoto do Haiti, que há décadas viaja pelo Brasil e por outros países lutando contra a desnutrição , representa a tragédia dentro da tragédia. Para o Brasil, perder Zilda Arns significa perder uma das pessoas mais sensíveis às causas sociais, sem demagogia, com trabalho honesto e dedicação permanente.
Enquanto líderes dos países ricos encontram-se periodicamente em reuniões de cúpula para discutir a fome no planeta, sem solucionar o problema, Zilda Arns, que foi candidata ao Nobel da Paz, é um exemplo de que a ação pode ir além do discurso e fazer a diferença entre a erudição vazia e a busca de resultados concretos.
A sua morte no Haiti, ao lado de milhares de haitianos, simboliza o encontro de seres marcados pelo sofrimento com aquela que fez muito durante a sua vida para que a pobreza no mundo diminuísse. Atuou da melhor maneira. Se os que podem fossem na mesma direção, o mundo seria bem menos injusto.
Os que se omitem deveriam se espelhar nessa mulher extraordinária e tornar o Haiti propriamente dito e outros Haitis que há no planeta, inclusive no Brasil, onde a miséria impera ainda em muitos lugares, locais em que a vida humana seja tratada com dignidade.
Sem proporcionar a todos os seres humanos o mínimo para a sua sobrevivência, incorremos em um crime global, que de uma certa forma nos macula a todos. O grito dos haitianos em meio ao terremoto não sai dos meus ouvidos. Uma imagem como essa não trata de números, mas exibe vidas torturadas, ameaçadas, procurando um jeito de sobreviver em meio aos escombros.
PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-Dissertação: Zilda Arns: ação no lugar do discurso.
2-Dissertação: O Haiti é resultado da soma das tragédias: as naturais e as geradas por políticos tiranos e corruptos.
3-Narração: Relato de um jovem universitário, que sobreviveu ao terremoto no Haiti, contando como está iniciando a reconstrução da sua vida e da própria universidade que ficou em escombros após o terremoto.
4-Crônica: Como não se sensibilizar com uma tragédia humana como a que ocorreu no Haiti?
5-Poema: A destruição e a reconstrução
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
O BRASIL E O MUNDO EM 2010
MUITO ALÉM DA COPA
JAIME LEITÃO
2010 ainda não começou e a mídia coloca o seu foco na Copa do Mundo da África do Sul. E começa a especular: o Brasil será ou não hexa? Ronaldo será ou não convocado?Tudo se resume a um evento e a realidade como um todo fica em segundo plano.
No segundo semestre, o foco estará voltado para as eleições. Presidente, governadores, senadores, deputados. De novo, um tema grandioso escondendo os outros.
jaime@jpjornal.com.br
Saindo do Brasil, abrindo o foco para o mundo, não dá para negar que a decisão do presidente norte-americano Barack Obama, prêmio Nobel da Paz de 2009, de enviar 30.000 soldados ao Afeganistão em 2010, abrirá uma porta perigosa para que o terror entre não só naquele país, mas também na Europa. A segurança nos Estados Unidos, por mais que eles digam que é impecável, tem exibido falhas terríveis. Acabar com o terrorismo promovendo o terror de Estado, que é avançar sobre territórios como o Iraque e o Afeganistão, é uma ilusão de ótica desastrosa.
A economia mundial deverá viver em 2010 uma fase de recuperação que não pode ser engolfada por uma euforia de consumo exacerbado para não repetir os erros que provocaram a recente crise. Os fundamentos econômicos praticamente não mudaram, e esse é um problema a ser enfrentado.
Em Cuba, a agonia do regime dos Castro (Fidel e Raúl) parece interminável. Ambos continuam com o mesmo discurso “revolucionário” de cinquenta anos atrás e não percebem que não há mais espaço para manter a maioria da população amarrada a um ideologia gagá, que tirou dela a liberdade de expressão e o direito a um mínimo de conforto. Os que comandam Cuba vivem muito bem, já os comandados padecem de inúmeras carências, inclusive nos hospitais públicos, que nunca estiveram tão mal equipados. Que em 2010 termine essa ditadura abominável como todas as outras. Um exemplo é a da Coreia do Norte, que se mantém também há décadas, isolada do resto do mundo e com a sua população passando fome.
A questão ambiental, tão mal abordada na Conferência do Clima, em Copenhague, em dezembro, voltará à pauta das discussões em 2010. Os países que mais poluem : Estados Unidos e China deverão ser pressionados a diminuir a emissão de gases tóxicos na atmosfera. Ou fazem isso ou morreremos torrados por tanto calor.
Jaime Leitão é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação.
Muito além da Copa, temos problemas sérios a ser enfrentados. A corrupção continuará sendo tratada com essa benevolência extraordinária, seguindo a máxima: Tudo para os corruptos, nada para quem ainda se indigna com ela? A corrupção é uma barreira imensa, que não pode se transformar numa pedrinha insignificante. Enquanto estiver entranhada no poder público, continuaremos aprisionados por carências que têm relação direta com ela: segurança, educação e saúde precárias. Se não removermos essas feridas gangrenadas da nossa política, 2010 será como os anos anteriores. Nada se transformará de fato.
PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-Crônica: Últimas impressões de 2009
2-Crônica: Primeiras impressões de 2010.
3-Dissertação: A ameaça terrorista em 2010 como reação à insensatez do governo Obama.
4-Dissertação: Além da Copa em 2010, existe uma realidade a ser enfrentada.
5-Narração: O narrador-personagem conta as aventuras-algumas difíceis-que viveu em 2009.
JAIME LEITÃO
2010 ainda não começou e a mídia coloca o seu foco na Copa do Mundo da África do Sul. E começa a especular: o Brasil será ou não hexa? Ronaldo será ou não convocado?Tudo se resume a um evento e a realidade como um todo fica em segundo plano.
No segundo semestre, o foco estará voltado para as eleições. Presidente, governadores, senadores, deputados. De novo, um tema grandioso escondendo os outros.
jaime@jpjornal.com.br
Saindo do Brasil, abrindo o foco para o mundo, não dá para negar que a decisão do presidente norte-americano Barack Obama, prêmio Nobel da Paz de 2009, de enviar 30.000 soldados ao Afeganistão em 2010, abrirá uma porta perigosa para que o terror entre não só naquele país, mas também na Europa. A segurança nos Estados Unidos, por mais que eles digam que é impecável, tem exibido falhas terríveis. Acabar com o terrorismo promovendo o terror de Estado, que é avançar sobre territórios como o Iraque e o Afeganistão, é uma ilusão de ótica desastrosa.
A economia mundial deverá viver em 2010 uma fase de recuperação que não pode ser engolfada por uma euforia de consumo exacerbado para não repetir os erros que provocaram a recente crise. Os fundamentos econômicos praticamente não mudaram, e esse é um problema a ser enfrentado.
Em Cuba, a agonia do regime dos Castro (Fidel e Raúl) parece interminável. Ambos continuam com o mesmo discurso “revolucionário” de cinquenta anos atrás e não percebem que não há mais espaço para manter a maioria da população amarrada a um ideologia gagá, que tirou dela a liberdade de expressão e o direito a um mínimo de conforto. Os que comandam Cuba vivem muito bem, já os comandados padecem de inúmeras carências, inclusive nos hospitais públicos, que nunca estiveram tão mal equipados. Que em 2010 termine essa ditadura abominável como todas as outras. Um exemplo é a da Coreia do Norte, que se mantém também há décadas, isolada do resto do mundo e com a sua população passando fome.
A questão ambiental, tão mal abordada na Conferência do Clima, em Copenhague, em dezembro, voltará à pauta das discussões em 2010. Os países que mais poluem : Estados Unidos e China deverão ser pressionados a diminuir a emissão de gases tóxicos na atmosfera. Ou fazem isso ou morreremos torrados por tanto calor.
Jaime Leitão é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação.
Muito além da Copa, temos problemas sérios a ser enfrentados. A corrupção continuará sendo tratada com essa benevolência extraordinária, seguindo a máxima: Tudo para os corruptos, nada para quem ainda se indigna com ela? A corrupção é uma barreira imensa, que não pode se transformar numa pedrinha insignificante. Enquanto estiver entranhada no poder público, continuaremos aprisionados por carências que têm relação direta com ela: segurança, educação e saúde precárias. Se não removermos essas feridas gangrenadas da nossa política, 2010 será como os anos anteriores. Nada se transformará de fato.
PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-Crônica: Últimas impressões de 2009
2-Crônica: Primeiras impressões de 2010.
3-Dissertação: A ameaça terrorista em 2010 como reação à insensatez do governo Obama.
4-Dissertação: Além da Copa em 2010, existe uma realidade a ser enfrentada.
5-Narração: O narrador-personagem conta as aventuras-algumas difíceis-que viveu em 2009.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
FAÇA A SUA LEITURA DE 2009
OS QUE FIZERAM GOL CONTRA EM 2009
JAIME LEITÃO
Ele iniciou o ano como a grande esperança de 2009. Depois do governo desastroso de George W. Bush, surgia um nome que parecia representar uma transformação positiva na maneira de governar e de tratar problemas sérios de forma mais sensata, como o meio ambiente e a necessidade de pacificar regiões de conflito.
Após ser anunciado em outubro o Nobel da Paz para Obama, o presidente norte-americano anunciou envio de mais de 30.000 soldados para combater no Afeganistão em 2010. Da paz à guerra, caminhou com uma desenvoltura chocante. E na Conferência do Clima de Copenhague, realizada agora em dezembro, Obama apareceu no penúltimo dia e foi a grande decepção, recusando-se a assinar um acordo comprometendo o seu país a emitir menos gás carbônico na atmosfera a curto e a médio prazo. Obama, no meu entender, começou o ano como um provável futuro herói e terminou como vilão. Fez um gol contra a paz e outro contra o meio ambiente. Jogou sujo. Frustração.
O Senado no Brasil foi a instituição campeã dos gols contra em 2009. O espírito de corpo venceu de goleada a ética e a democracia, esmagando-as sem piedade. Todas as denúncias de atos secretos e muitas outras, envolvendo senadores, funcionários e, principalmente, o presidente do Senado, José Sarney, não deram em nada, fizeram água, das mais lamacentas e malcheirosas que se possa imaginar. O Senado, depois de tantos gols contra, naufragou. Continua a existir como uma fantasma, para atender aos interesses daqueles que foram eleitos pelo voto direto. Lambança.
O governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, deputados distritais e alguns secretários, pilhados em flagrante recebendo altas propinas, deram gols contra a perder de vista. Primeiro, quando foram pegos, depois quando se fizeram de vítimas, afirmando que tudo não passou de armação, mais adiante, quando Arruda reprimiu com violência as manifestações dos estudantes e ativistas pedindo o seu impeachment, em seguida, quando a Câmara Legislativa entrou em férias para abafar tudo. Que goleada contra a democracia. Bandalheira.
Gols contra fizeram também os torcedores do Coritiba (com o) que transformaram o estádio Couto Pereira em Curitiba em uma verdadeira praça de guerra depois que o time para que torcem foi rebaixado para a série B do Campeonato Brasileiro. Fizeram gols contra o esporte civilizado, bonito, gostoso de se ver. Selvageria.
Gol contra também fez o presidente Lula ao defender o seu ex-inimigo José Sarney, dizendo que Sarney não é uma pessoa comum; com isso deu força ao enfraquecido Sarney, que continua presidente do Senado, tendo o aval do presidente da república. Palhaçada.
Mais gol contra? De todos os políticos e não-políticos que agiram de forma ilícita em 2009, independente de terem sido pegos ou não. E não foram poucos. Impunidade.
PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-A partir do texto acima, escreva uma crônica com o mesmo título , incluindo outros nomes além dos colocados pelo autor.
2-Escreva uma dissertação que tenha como título: UM BALANÇO de 2009.
3-Escreva uma carta ao presidente dos Estados Unidos Barack Obama criticando a sua atuação na Conferência do Clima em Copenhague e o envio de mais 30.000 soldados ao Afeganistão no ano que vem, decisão essa anunciada logo após ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.
JAIME LEITÃO
Ele iniciou o ano como a grande esperança de 2009. Depois do governo desastroso de George W. Bush, surgia um nome que parecia representar uma transformação positiva na maneira de governar e de tratar problemas sérios de forma mais sensata, como o meio ambiente e a necessidade de pacificar regiões de conflito.
Após ser anunciado em outubro o Nobel da Paz para Obama, o presidente norte-americano anunciou envio de mais de 30.000 soldados para combater no Afeganistão em 2010. Da paz à guerra, caminhou com uma desenvoltura chocante. E na Conferência do Clima de Copenhague, realizada agora em dezembro, Obama apareceu no penúltimo dia e foi a grande decepção, recusando-se a assinar um acordo comprometendo o seu país a emitir menos gás carbônico na atmosfera a curto e a médio prazo. Obama, no meu entender, começou o ano como um provável futuro herói e terminou como vilão. Fez um gol contra a paz e outro contra o meio ambiente. Jogou sujo. Frustração.
O Senado no Brasil foi a instituição campeã dos gols contra em 2009. O espírito de corpo venceu de goleada a ética e a democracia, esmagando-as sem piedade. Todas as denúncias de atos secretos e muitas outras, envolvendo senadores, funcionários e, principalmente, o presidente do Senado, José Sarney, não deram em nada, fizeram água, das mais lamacentas e malcheirosas que se possa imaginar. O Senado, depois de tantos gols contra, naufragou. Continua a existir como uma fantasma, para atender aos interesses daqueles que foram eleitos pelo voto direto. Lambança.
O governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, deputados distritais e alguns secretários, pilhados em flagrante recebendo altas propinas, deram gols contra a perder de vista. Primeiro, quando foram pegos, depois quando se fizeram de vítimas, afirmando que tudo não passou de armação, mais adiante, quando Arruda reprimiu com violência as manifestações dos estudantes e ativistas pedindo o seu impeachment, em seguida, quando a Câmara Legislativa entrou em férias para abafar tudo. Que goleada contra a democracia. Bandalheira.
Gols contra fizeram também os torcedores do Coritiba (com o) que transformaram o estádio Couto Pereira em Curitiba em uma verdadeira praça de guerra depois que o time para que torcem foi rebaixado para a série B do Campeonato Brasileiro. Fizeram gols contra o esporte civilizado, bonito, gostoso de se ver. Selvageria.
Gol contra também fez o presidente Lula ao defender o seu ex-inimigo José Sarney, dizendo que Sarney não é uma pessoa comum; com isso deu força ao enfraquecido Sarney, que continua presidente do Senado, tendo o aval do presidente da república. Palhaçada.
Mais gol contra? De todos os políticos e não-políticos que agiram de forma ilícita em 2009, independente de terem sido pegos ou não. E não foram poucos. Impunidade.
PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-A partir do texto acima, escreva uma crônica com o mesmo título , incluindo outros nomes além dos colocados pelo autor.
2-Escreva uma dissertação que tenha como título: UM BALANÇO de 2009.
3-Escreva uma carta ao presidente dos Estados Unidos Barack Obama criticando a sua atuação na Conferência do Clima em Copenhague e o envio de mais 30.000 soldados ao Afeganistão no ano que vem, decisão essa anunciada logo após ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
ÁREAS DE RISCO: AS CHUVAS SÓ ESTÃO COMEÇANDO
As mortes ocorridas nos últimos dias no Estado de São Paulo, de crinças e adultos morando em áreas de risco, levantam uma questão grave que precisa ser resolvida pelas administrações. Antes das tragédias, as famílias devem ser removidas, não para alojamentos precários e provisórios, mas para casas populares em locais seguros. A vida deve ser prioridade, só que na prática isso não acontece. E as chuvas estão só no início de temporada.
(Jaime Leitão)
PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-Dissertação: Permitir que famílias vivam em áreas de risco representa um crime.
2-Narração: Narrador-personagem conta o seu drama por viver em uma casa localizada em área de risco.
3-Carta: ao governador José Serra ou ao prefeito Gilberto Kassab exigindo providência para evitar novas tragédias causadas pela chuva.
(Jaime Leitão)
PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-Dissertação: Permitir que famílias vivam em áreas de risco representa um crime.
2-Narração: Narrador-personagem conta o seu drama por viver em uma casa localizada em área de risco.
3-Carta: ao governador José Serra ou ao prefeito Gilberto Kassab exigindo providência para evitar novas tragédias causadas pela chuva.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
CONHEÇA OS MEUS OUTROS BLOGUES
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e o novo, que comecei hoje: www.frasesdejaimeleitao.blogspot.com
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FUTEBOL E BARBÁRIE
A demonstração de selvageria da torcida do Coritiba, ontem em Curitiba, logo após o rebaixamento do seu time da série A do Campeonato Brasileiro, foi simplesmente lamentável.
Torcedores primitivos usaram pau, pedra e tudo o que achavam pela frente para agredir os árbitros e os policiais.
É difícil definir os limites entre a emoção saudável, que inclui o choro de alguns torcedores depois da derrota, e a emoção descontrolada, violenta, devastadora.
(Jaime Leitão)
PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-Dissertação: No futebol, vale tudo?
2-Narração: Um torcedor preso por ter participado da invasão de campo em Curitiba narra ao delegado, com sinceridade, por que agiu assim.
3-Carta ao presidente da CBF Gustavo Teixeira, exigindo mais rigor nos estádios par a que cenas como a de Curitiba não mais se repitam.
Torcedores primitivos usaram pau, pedra e tudo o que achavam pela frente para agredir os árbitros e os policiais.
É difícil definir os limites entre a emoção saudável, que inclui o choro de alguns torcedores depois da derrota, e a emoção descontrolada, violenta, devastadora.
(Jaime Leitão)
PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-Dissertação: No futebol, vale tudo?
2-Narração: Um torcedor preso por ter participado da invasão de campo em Curitiba narra ao delegado, com sinceridade, por que agiu assim.
3-Carta ao presidente da CBF Gustavo Teixeira, exigindo mais rigor nos estádios par a que cenas como a de Curitiba não mais se repitam.
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