quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A PARTIR DA CRÔNICA, PRODUZA...

CLIMA SECO EM TODOS OS SENTIDOS
JAIME LEITÃO

Quem disse que não estamos em clima de deserto? A umidade baixíssima do ar nos últimos dias vem provocando uma sede que não termina. Nem dez copos d`água matam essa sede sem fim, mas ajudam pelo menos a nos manter com aquela umidade corporal mínima, sem a qual secamos de vez.
E quem não tem o hábito de tomar água? Agora mesmo fui até a frente pegar os jornais. A temperatura estava em 12 graus. No mesmo momento, passaram duas moças correndo, sem nenhum agasalho. Não carregavam nenhuma garrafinha d`água. Pensei: -Será que elas não sentem sede?
Conheço pessoas que tomam refrigerante quase o dia todo, mas se esquecem da água. Quando tomo uma taça de vinho, a água também é presença obrigatória. Em épocas menos secas e principalmente agora com essa umidade que me obriga a colocar uma bacia no quarto todas as noites.
Parece que o clima seco tem o poder também de contaminar o comportamento de muita gente. Secura nos relacionamentos. Ouço reclamação de amiga: -Meu namorado está seco demais comigo. Ouço de um amigo: -Nas lojas, o atendimento está a cada dia mais áspero e seco. Discordo dele, digo que comigo não tem acontecido isso. Pergunto se a secura não tem partido dele? Ele ficou pensando um pouco e saiu de perto de mim sem dizer nada.
Reclamamos da pele seca, da dificuldade para respirar, mas esquecemos que as relações humanas vêm se tornando distantes, secas também. Não posso reclamar das minhas, mas, por onde ando, percebo frieza na maneira como muitos se tratam. Secura atrai secura.
A seca é terrível em todos os sentidos. Provoca incêndios, queimadas, faz mal para a pele, pulmões e também reduz as relações a conversas ríspidas. Seria importante se cada um se perguntasse: -Não estou sendo seco demais com as pessoas e, por esse motivo, recebendo também a secura de volta? Se agimos de forma mais amena, leve, provavelmente retornará a nós um cumprimento suave, uma fala com mais emoção e menos frieza e secura. Os secos são geradores de conflito a todo momento. Não param de provocar ruídos.
Se o clima está seco, e está mesmo, por que não romper com essa secura? Quanto mais secura, pior. Ela gera irritação, rigidez, nos deixa em um estado desagradável.
Na seca, nada de bom floresce. Precisamos da água, da umidade, dos contatos humanos além das conversas extremamente objetivas para tratar de negócios, de maneira impessoal. Somos seres humanos, pessoas, como agir quase sempre deixando que a impessoalidade tome conta de nós? Não avançaremos assim. Pelo menos não como gostaríamos. Quanto menos secos, mais prazer sentiremos. Não há secura em Beethoven, Bach, Mozart. A beleza desses compositores está na emoção que eles transmitem. E alimentam a nossa alma com a água boa da melodia que nos deixa úmidos por dentro, com mais harmonia. Sem ela, perecemos.

Produção de texto:

1-Uma carta a um amigo que mora no exterior, em região úmida, comentando sobre o clima seco, com a umidade do ar chegando a índices preocupantes

2-Um conto que se passe em uma cidade em que quase nunca chove.

3-Um editorial sobre o baixo índice de umidade do ar.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O BURACO NEGRO


Produção britânica.
Direção: Phil & Olly
Fonte: www.futureshorts.com

Propostas temáticas:

1-A partir do vídeo acima, escreva uma dissertação que tenha como tema: Ambição sem limites.

2-Narração fantástica que mostre o protagonista enredado em um buraco negro que surgiu de repente na parede do seu quarto.

3-Carta argumentativa de um ambicioso compulsivo criticando a falta de ambição de um amigo ou namorada.

4-Carta argumentativa de uma pessoa sem maiores ambições criticando um amigo ou namorada por usar todos os meios, lícitos e ilícitos, para conquistar o que quer.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O VIRTUAL EM CONTRAPOSIÇÃO AO REAL

OPINIÃO

Tente beijar mais e tuitar menos
BOB HERBERT
COLUNISTA DO "NEW YORK TIMES"

Eu estava indo de Washington para Nova York quando um carro colou atrás de mim -voando. Eu vi pelo retrovisor que a motorista falava no celular. Dias depois, eu conversava com um cara que costuma ir de Nova York a Nova Jersey. Ele apoia seu laptop na frente do carro para assistir DVDs enquanto dirige. "Eu só faço isso no trânsito. Não tem problema", diz.
Além das questões óbvias de segurança, por que alguém quer ou precisa falar ao telefone ou assistir a filmes enquanto dirige? Odeio soar como se fosse do século passado, mas qual o problema em só ouvir rádio? As maravilhas da tecnologia estão nos engolindo. Não as controlamos; elas nos controlam.
Nós temos celulares, Blackberrys, Kindles e iPads, e estamos mandando e-mails e mensagens de textos, batendo papo e tuitando. Tudo isso é parte do que eu acho ser um dos aspectos mais esquisitos da nossa cultura: o ritmo frenético que exige que façamos, no mínimo, duas ou três coisas a todo momento desde que acordamos. Por que ser multifuncional é considerado um talento?
Poderíamos facilmente achar que isso é uma inabilidade neurótica que nos impede de nos concentrarmos por mais de três segundos. Chega desse comportamento hiperativo, dessa tecnotirania e desse ritmo frenético que não para. Precisamos desacelerar e respirar. Não me oponho aos excepcionais avanços dos últimos anos. Não quero voltar para a máquina de escrever e ao papel carbono. Só acho que deveríamos tratar a tecnologia como qualquer outra ferramenta. Deveríamos controlá-la, moldando-a aos nossos propósitos.
Vamos deixar um pouco de lado nossos gadgets e passar o tempo sendo nós mesmos. Um dos problemas da nossa sociedade é que temos uma tendência, em meio a toda loucura que nos cerca, de perder de vista o que é verdadeiramente humano em nós -aquelas coisas bem especiais, a maior parte não material, que nos preenchem, dão sentido às nossas vidas, nos engrandecem e que nos permitem abraçar mais facilmente aqueles a nossa volta.
Há um personagem em uma peça de August Wilson que diz que todo mundo tem uma canção dentro de si e que você corre risco de perder essa canção. Se você perde o contato e esquece como cantá-la, você está sujeito a ficar frustrado e insatisfeito.
Não acho que ficamos em contato com nossas canções ao tuitar ou digitar mensagens em nossos Blackberrys ou acumular amigos no Facebook. Precisamos reduzir os limites de velocidade de nossas vidas e saborear a viagem. Deixe o celular em casa de vez em quando. Tente beijar mais e tuitar menos. E pare de falar tanto. Ouça.
As outras pessoas também têm o que dizer. Quando elas não dizem, aquele silêncio glorioso dirá mais do que você jamais imaginou. Isso é quando você começará a ouvir a sua canção. Isso é quando os seus melhores pensamentos aparecerão, e você realmente será você.
Fone: Folha de São Paulo- Suplemento TEC-19-07-2010

Propostas temáticas;

1-Dissertação: Tuitar mais ou menos?
2-Crônica que tenha como título: Tuitar e beijar é só começar.
3-Narração: O narrador-personagem conta da sua experiência desagradável de ter se viciado no Twitter.

terça-feira, 13 de julho de 2010

QUEM SÃO OS BONECOS?


Fonte: charge de Jean, Folha de São Paulo 13-7-2010

QUEM SÃO OS BONECOS?
JAIME LEITÃO

O PT está confeccionando milhares de bonecos representando o Lula. É o Lulinha. Cada um será vendido a R$ 5 e servirá para ajudar a custear a campanha de Dilma. Haja boneco!
Aqui cai bem uma pergunta: se a candidata é a Dilma, por que estão lançando o boneco do Lula? Isso porque boneco do Lula vende, o da Dilma corre o risco de encalhar. E fica feio para uma candidata ter o boneco que a representa rejeitado.
Os apoiadores da campanha da Marina Silva não ficam atrás. Estão começando a confeccionar bonecos menores da Marina, uma espécie de broche, que também serão vendidos, a Marininha.
Só falta a aparecer o Serrinha. Quem compraria o Serrinha? Pra falar a verdade, eu não compraria nem o Lulinha nem a Marininha nem o Serrinha. Querem nos vender bonecos ou querem nos fazer de bonecos, de fantoches, desfilando por aí com objetos representando os candidatos? Oferecer brindes: canetas, chaveiros, bonés não pode, o que está certo. Há quem vote em candidato porque ganhou caneta, dentadura ou alguns tijolos. É imoral tanto o candidato que oferece quanto o eleitor que aceita. Vender pode?
Queremos idéias, propostas concretas, chega de circo. Logo irão nos vender outros produtos, transformando a campanha numa grande feira, em um mercado de objetos para ajudar a sustentar campanhas milionárias. Copos, xícaras, chaveiros, agendas, e muito mais.
Quando leio notícias dessa natureza, eu me pergunto: -O que ainda veremos nos próximos meses? Não somos bonecos que aceitam tudo sem contestar ou reagir.
Os que se movimentam em torno do poder são pródigos em propor formas de envolver, de convencer o eleitor . E um copia o outro. Quando teremos candidatos que digam para os seus marqueteiros e assessores: -Quero uma campanha séria, coerente, sem apelar para bonecos e uma série de produtos que tiram de uma eleição majoritária o foco da discussão que deveria estar voltado para questões fundamentais. Algumas são :-como administrar o Brasil nos próximos quatro anos diminuindo a dívida pública, enorme, e o tamanho da máquina estatal, também gigantesca? ; como promover uma educação que forme cidadãos mais críticos e profissionais mais qualificados? ; como diminuir os impostos para melhorar a vida de microempresários e da população em geral, que estão sempre enforcados pelos tributos absurdos que pagam?
Queremos menos bonecos e mais seriedade, menos circo e uma administração transformadora de fato. Quando um candidato copia o outro, é sinal que nenhum quer mudar nada. E isso é péssimo.
A falta de imaginação no poder dá uma tese. Será que já não existe? Se não existir, proponho a um mestre em sociologia e política, pensando em ingressar no doutorado, que desenvolva uma tese que tenha como tema: “A falta de criatividade na política” ou “A capacidade que os políticos têm de copiar as velhas fórmulas e as velhas práticas.”

Propostas temáticas:

1-Disssertação a partir da charge e do artigo, que tenha como tema: Quem são os bonecos e os palhaços?

2-Narração: Um boneco retirado do imaginário infantil (Pinóquio, Soldadinho de Chumbo, Peter Pan, etc) revolta-se com a invenção de "bonecos políticos) e resolve decretar uma guerra contra eles, convocando os bonecos que ele considera autênticos para participar desse combate.

3-Crônica: Política é circo?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O CANDIDATO FICHA-SUJA E O CANDIDATO FICHA-LIMPA

Propostas temáticas

1-Imagine que você é um candidato ficha-suja. Dê um nome ficcional para esse personagem. Escreva um texto argumentativo em que o candidato ficcha-suja tenta convencer o eleitor a votar nele, apesar do seu passado condenável.

2-Você é um candidato ficha-limpa, que acredita que a melhor maneira de conquistar o voto do eleitor é com honestidade e transparência. Escreva uma texto argumentativo defendendo a política limpa, honesta e pedindo o voto do eleitor consciente.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

LEIA E DESCREVA O AMBIENTE EM QUE VOCÊ ESTÁ AGORA

Onde você está agora?Na sala, no quarto, em uma lan house? Utilizando os seus cinco sentidos e a subjetividade, faça um a leitura do lugar em que você se encontra e descreva o ambiente. Escreva uma crônica em que a descrição esteja em primeiro plano.

EXERCÍCIOS DE DISPARADA VERBAL

Sem pensar muito, escreva o que lhe vier à cabeça, a partir dos inícios abaixo. Procure se soltar o máximo possível.

1-Quando o juiz apitou a vitória da Holanda sobre o Brasil, que nos tirou da Copa...

2-A minha ansiedade é capaz de...

3-Entrei na sala sem avisar e dei de cara...

4-O medo que eu senti naquele momento...

5-Olhei para o espelho e percebi...