quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O BRASIL E O MUNDO EM 2010

MUITO ALÉM DA COPA
JAIME LEITÃO

2010 ainda não começou e a mídia coloca o seu foco na Copa do Mundo da África do Sul. E começa a especular: o Brasil será ou não hexa? Ronaldo será ou não convocado?Tudo se resume a um evento e a realidade como um todo fica em segundo plano.
No segundo semestre, o foco estará voltado para as eleições. Presidente, governadores, senadores, deputados. De novo, um tema grandioso escondendo os outros.
jaime@jpjornal.com.br
Saindo do Brasil, abrindo o foco para o mundo, não dá para negar que a decisão do presidente norte-americano Barack Obama, prêmio Nobel da Paz de 2009, de enviar 30.000 soldados ao Afeganistão em 2010, abrirá uma porta perigosa para que o terror entre não só naquele país, mas também na Europa. A segurança nos Estados Unidos, por mais que eles digam que é impecável, tem exibido falhas terríveis. Acabar com o terrorismo promovendo o terror de Estado, que é avançar sobre territórios como o Iraque e o Afeganistão, é uma ilusão de ótica desastrosa.
A economia mundial deverá viver em 2010 uma fase de recuperação que não pode ser engolfada por uma euforia de consumo exacerbado para não repetir os erros que provocaram a recente crise. Os fundamentos econômicos praticamente não mudaram, e esse é um problema a ser enfrentado.
Em Cuba, a agonia do regime dos Castro (Fidel e Raúl) parece interminável. Ambos continuam com o mesmo discurso “revolucionário” de cinquenta anos atrás e não percebem que não há mais espaço para manter a maioria da população amarrada a um ideologia gagá, que tirou dela a liberdade de expressão e o direito a um mínimo de conforto. Os que comandam Cuba vivem muito bem, já os comandados padecem de inúmeras carências, inclusive nos hospitais públicos, que nunca estiveram tão mal equipados. Que em 2010 termine essa ditadura abominável como todas as outras. Um exemplo é a da Coreia do Norte, que se mantém também há décadas, isolada do resto do mundo e com a sua população passando fome.
A questão ambiental, tão mal abordada na Conferência do Clima, em Copenhague, em dezembro, voltará à pauta das discussões em 2010. Os países que mais poluem : Estados Unidos e China deverão ser pressionados a diminuir a emissão de gases tóxicos na atmosfera. Ou fazem isso ou morreremos torrados por tanto calor.

Jaime Leitão é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação.
Muito além da Copa, temos problemas sérios a ser enfrentados. A corrupção continuará sendo tratada com essa benevolência extraordinária, seguindo a máxima: Tudo para os corruptos, nada para quem ainda se indigna com ela? A corrupção é uma barreira imensa, que não pode se transformar numa pedrinha insignificante. Enquanto estiver entranhada no poder público, continuaremos aprisionados por carências que têm relação direta com ela: segurança, educação e saúde precárias. Se não removermos essas feridas gangrenadas da nossa política, 2010 será como os anos anteriores. Nada se transformará de fato.

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Crônica: Últimas impressões de 2009
2-Crônica: Primeiras impressões de 2010.
3-Dissertação: A ameaça terrorista em 2010 como reação à insensatez do governo Obama.
4-Dissertação: Além da Copa em 2010, existe uma realidade a ser enfrentada.
5-Narração: O narrador-personagem conta as aventuras-algumas difíceis-que viveu em 2009.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FAÇA A SUA LEITURA DE 2009

OS QUE FIZERAM GOL CONTRA EM 2009
JAIME LEITÃO

Ele iniciou o ano como a grande esperança de 2009. Depois do governo desastroso de George W. Bush, surgia um nome que parecia representar uma transformação positiva na maneira de governar e de tratar problemas sérios de forma mais sensata, como o meio ambiente e a necessidade de pacificar regiões de conflito.
Após ser anunciado em outubro o Nobel da Paz para Obama, o presidente norte-americano anunciou envio de mais de 30.000 soldados para combater no Afeganistão em 2010. Da paz à guerra, caminhou com uma desenvoltura chocante. E na Conferência do Clima de Copenhague, realizada agora em dezembro, Obama apareceu no penúltimo dia e foi a grande decepção, recusando-se a assinar um acordo comprometendo o seu país a emitir menos gás carbônico na atmosfera a curto e a médio prazo. Obama, no meu entender, começou o ano como um provável futuro herói e terminou como vilão. Fez um gol contra a paz e outro contra o meio ambiente. Jogou sujo. Frustração.
O Senado no Brasil foi a instituição campeã dos gols contra em 2009. O espírito de corpo venceu de goleada a ética e a democracia, esmagando-as sem piedade. Todas as denúncias de atos secretos e muitas outras, envolvendo senadores, funcionários e, principalmente, o presidente do Senado, José Sarney, não deram em nada, fizeram água, das mais lamacentas e malcheirosas que se possa imaginar. O Senado, depois de tantos gols contra, naufragou. Continua a existir como uma fantasma, para atender aos interesses daqueles que foram eleitos pelo voto direto. Lambança.
O governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, deputados distritais e alguns secretários, pilhados em flagrante recebendo altas propinas, deram gols contra a perder de vista. Primeiro, quando foram pegos, depois quando se fizeram de vítimas, afirmando que tudo não passou de armação, mais adiante, quando Arruda reprimiu com violência as manifestações dos estudantes e ativistas pedindo o seu impeachment, em seguida, quando a Câmara Legislativa entrou em férias para abafar tudo. Que goleada contra a democracia. Bandalheira.
Gols contra fizeram também os torcedores do Coritiba (com o) que transformaram o estádio Couto Pereira em Curitiba em uma verdadeira praça de guerra depois que o time para que torcem foi rebaixado para a série B do Campeonato Brasileiro. Fizeram gols contra o esporte civilizado, bonito, gostoso de se ver. Selvageria.
Gol contra também fez o presidente Lula ao defender o seu ex-inimigo José Sarney, dizendo que Sarney não é uma pessoa comum; com isso deu força ao enfraquecido Sarney, que continua presidente do Senado, tendo o aval do presidente da república. Palhaçada.
Mais gol contra? De todos os políticos e não-políticos que agiram de forma ilícita em 2009, independente de terem sido pegos ou não. E não foram poucos. Impunidade.

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-A partir do texto acima, escreva uma crônica com o mesmo título , incluindo outros nomes além dos colocados pelo autor.

2-Escreva uma dissertação que tenha como título: UM BALANÇO de 2009.

3-Escreva uma carta ao presidente dos Estados Unidos Barack Obama criticando a sua atuação na Conferência do Clima em Copenhague e o envio de mais 30.000 soldados ao Afeganistão no ano que vem, decisão essa anunciada logo após ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

ÁREAS DE RISCO: AS CHUVAS SÓ ESTÃO COMEÇANDO

As mortes ocorridas nos últimos dias no Estado de São Paulo, de crinças e adultos morando em áreas de risco, levantam uma questão grave que precisa ser resolvida pelas administrações. Antes das tragédias, as famílias devem ser removidas, não para alojamentos precários e provisórios, mas para casas populares em locais seguros. A vida deve ser prioridade, só que na prática isso não acontece. E as chuvas estão só no início de temporada.
(Jaime Leitão)

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Dissertação: Permitir que famílias vivam em áreas de risco representa um crime.
2-Narração: Narrador-personagem conta o seu drama por viver em uma casa localizada em área de risco.
3-Carta: ao governador José Serra ou ao prefeito Gilberto Kassab exigindo providência para evitar novas tragédias causadas pela chuva.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

CONHEÇA OS MEUS OUTROS BLOGUES

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e o novo, que comecei hoje: www.frasesdejaimeleitao.blogspot.com

FUTEBOL E BARBÁRIE

A demonstração de selvageria da torcida do Coritiba, ontem em Curitiba, logo após o rebaixamento do seu time da série A do Campeonato Brasileiro, foi simplesmente lamentável.
Torcedores primitivos usaram pau, pedra e tudo o que achavam pela frente para agredir os árbitros e os policiais.
É difícil definir os limites entre a emoção saudável, que inclui o choro de alguns torcedores depois da derrota, e a emoção descontrolada, violenta, devastadora.
(Jaime Leitão)

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Dissertação: No futebol, vale tudo?

2-Narração: Um torcedor preso por ter participado da invasão de campo em Curitiba narra ao delegado, com sinceridade, por que agiu assim.

3-Carta ao presidente da CBF Gustavo Teixeira, exigindo mais rigor nos estádios par a que cenas como a de Curitiba não mais se repitam.

sábado, 14 de novembro de 2009

PROVA OU PROPAGANDA?

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a crise financeira mundial era um tsunami no exterior, mas, no Brasil, seria uma ‘’marolinha’’, vários veículos da mídia criticaram a fala presidencial. Agora é a imprensa internacional que lembra e confirma a previsão de Lula.
Considerando a realidade atual da economia, no exterior e no Brasil, é correto afirmar que houve, por parte dos críticos:
A) atitude preconceituosa
B) irresponsabilidade
C) livre exercício da crítica
D) manipulação política da mídia
E) prejulgamento

Resposta: A

Comentário: A questão acima fez parte da prova do ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) para os alunos do curso de jornalismo, realizada no último domingo, dia 8 de novembro. O que mais causa estranheza nessa questão é a resposta considerada certa que, no meu entender, é a C, no entanto, a resposta considerada correta é a A, deixando clara a condenação do governo a críticas feitas pela imprensa. Utilizar uma prova dessa magnitude para fazer propaganda governamental e pregar uma ideologia autoritária e antidemocrática é simplesmente inaceitável e demonstra que a democracia que o atual governo pratica é só de fachada. Prova não é panfleto. Pelo menos não deveria ser.
(Jaime Leitão)

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Dissertação: Até que ponto a prova do ENADE representa uma avaliação séria do desempenho dos alunos nas universidades?

2-Narração: O narrador-personagem conta como foi discriminado por colegas cujas famílias recebem o Bolsa-Família por expor o seu ponto de vista crítico em relação ao governo.

3-Carta ao Ministro da Educação Fernando Haddad criticando-o pela afirmação de que ninguém no ministério da educação teve acesso à prova do ENADE, já que foi elaborada por uma empresa contratada para isso.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O BLECAUTE

Eu estava aqui no computador quando a luz passou a oscilar sem parar. Minha primeira preocupação: vai queimar o computador. Fui correndo pegar a lanterna, e por sorte, achei-a sem precisar tatear demais. Liguei para a minha prima em Campinas e lá também as luzes estavam apagadas.
Meia hora depois, quando as luzes voltaram, fiquei feliz porque o computador estava inteiro, funcionando. Se não estivesse, não poderia estar aqui escrevendo esta pequena crônica.
Apagou de novo. Não acredito. E desta vez ficamos quase seis horas na escuridão.
A notícia é que o apagão aconteceu em vários estados por causa de um defeito na Usina de Itaipu. Conclusão: sem luz e sem computador, nos sentimos literalmente no escuro. Em outros tempos, o impacto seria bem menor. Quase todas as casas possuíam um maço de velas ao alcance de todos. O risco de apagão hoje é bem maior porque vem aumentando o consumo várias vezes mais do que o investimento em energia.
Deveríamos ficar pelo menos meia hora por dia em um quarto escuro para nos acostumarmos com os próximos apagões que provavelmente virão.
(Jaime Leitão)

Propostas temáticas:

1-Disssertação: Apagão: causas e efeitos.

2-Narração: O narrador-personagem conta como foi passar mais de uma hora no escuro no centro de São Paulo durante o apagão.

3-Carta endereçada ao presidente da república pedindo que ele invista mais em formas de energia alternativas, mais baratas do que a gerada pela gerada pelas hidrelétricas, ou reforce as linhas de transmissão para evitar novos apagões tão longos.

4-Carta ao ministro da Justiça Tarso Genro criticando a sua afirmação de que o apagão foi um microincidente, sem maior importância.

sábado, 31 de outubro de 2009

HOSTILIDADE CONTRA A ALUNA DA UNIBAN


Fonte: Folha de São Paulo
São Paulo, sábado, 31 de outubro de 2009
Aluna hostilizada na Uniban diz que professores participaram
Estudante perseguida por usar vestido curto afirma ter "parcela de culpa" no episódio
CRISTINA MORENO DE CASTRO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
JAMES CIMINODA REPORTAGEM LOCAL
Hostilizada por colegas da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) por causa de um vestido curto, a estudante de turismo Geyse Arruda, 20, afirmou ontem na TV que professores e funcionários também participaram do tumulto."Os seguranças da faculdade, no começo, estavam rindo", disse. "Como um aluno vai ter atitude decente se os próprios professores e funcionários apoiam [as hostilidades]?"Geyse deu entrevista de cerca de duas horas ao programa "Geraldo Brasil", da Record, no dia em que deveria depor na sindicância interna aberta para apurar o caso. A universidade não se manifestou ontem.No programa, Geyse chorou e relatou sua versão da noite em que teve de sair escoltada por PMs para se proteger de cerca de 700 alunos "descontrolados". Ao fim da atração, trocou a blusa preta de manga comprida e o jeans que usava pelo vestido rosa-choque que causou a confusão. Antes, recusou três vezes o pedido do apresentador Geraldo Luís.A jovem também assumiu parte da culpa pelo tumulto. "Posso ter errado por ter ido com o vestido. Mas o ato de vandalismo que fizeram comigo não se faz com ninguém."Ela disse que volta ao curso na terça-feira, "não para afrontar ou causar polêmica".Quando o apresentador perguntou por que Geyse só usava esse tipo de roupa, ela respondeu: "Acho que um vestido em uma mulher é extremamente feminino. Minha roupa só diz respeito a mim, respeito todo mundo e quero ser respeitada".Ela foi comparada pelo apresentador a Maria Madalena. Rafael Bruno, 22, do curso de administração da Uniban, fez analogia similar. "Parecia uma igreja evangélica cheia de fanáticos. A hipocrisia era igual."Alunos do mesmo campus onde Geyse estuda concordam que a universidade não soube controlar o tumulto.Renato Di Giacomo, 23, estudante de logística, diz que a jovem deveria ter sido barrada na entrada por estar usando "trajes inapropriados".Thaiza Andreone, 22, do curso de administração, comenta que faltou pulso firme. "Foi uma reação em cadeia provocada pelos próprios alunos. Toda hora chegava alguém na minha sala para falar da saia da menina. Imagine o que vão pensar desta universidade, onde os alunos tomam conta desse jeito? Parece colégio..."Thaiza diz que Geyse não é a única a usar roupas "ousadas" na faculdade. "Sempre tem umas meninas de top. Eu mesma uso minissaia e vestido curto, então isso tudo é uma tremenda hipocrisia."

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Dissertação: Como justificar a reação em cadeia contra a aluna da Uniban que usava vestido muito curto?
2-Narrativa: A protagonista (nome fictício) conta como foi hostilizada em uma universidade por usar roupa curta ou outra roupa que a diferenciava dos demais colegas.

3-Carta ao reitor da Uniban posicionando-se sobre o que aconteceu lá com a aluna Geyse, e pedindo providências de acordo com o seu ponto de vista.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

EM DISCUSSÃO, AS BRINCADEIRAS INFANTIS

Fonte: Folha de São Paulo
São Paulo, terça-feira, 27 de outubro de 2009
RUBEM ALVES
PÓ DE GIZ

Meu revólver de brinquedo do tempo de menino não era a profecia de um futuro criminoso; era brincadeira
OITO e trinta da manhã. Toca o telefone. Jornal "CBN Total". O Heródoto Barbeiro queria me entrevistar. Queria saber o que eu pensava de algo que estava ocorrendo com as crianças numa cidade do Rio Grande do Sul, cujo nome eu esqueci e que estava provocando reações espantadas, nervosas e indignadas entre educadores, pais e autoridades.Não havia teoria que explicasse o que as crianças estavam fazendo e, muito menos, que indicasse rumos de ação para pôr um fim naquela coisa perigosa e jamais imaginada.Tudo tinha a ver com uma brincadeira nova que as crianças haviam inventado: pegavam pó de giz e faziam de conta que o pó branco era cocaína. Faziam, então, pacotinhos e se punham a campo brincando, cheirando, vendendo e comprando. Brincavam de traficantes.Pais, professores e autoridades ficaram apavorados, certos de que essa brincadeira anunciava vocações criminosas embutidas: as crianças que brincavam com o pó branco corriam o risco de se transformarem em consumidores, traficantes e criminosos quando adultos.Acho que o barulho que os adultos estão fazendo é mais nocivo que o pó de giz. Digo isso a partir da minha própria experiência de menino. Naqueles tempos, a gente gostava de brincar com aqueles revólveres que imitavam os revólveres dos mocinhos e dos bandidos e que davam um estalo de espoleta quando se apertava o gatilho.Mais sofisticadas eram as pistolas automáticas, que usavam não espoletas isoladas uma a uma, mas fitas em que as espoletas iam estourando automaticamente. Domingo de tarde, revólver na cintura, cara de valente, andando com as pernas abertas era uma felicidade.Mas nunca vi sombra de preocupação no rosto do meu pai e de minha mãe. O meu revólver de brinquedo não era a profecia de um futuro criminoso.Como nem sempre eu tinha dinheiro para comprar os meus revólveres, tratei de produzi-los artesanalmente usando bambus, elásticos de borracha, madeira e canos de guarda-chuva. Esses, sim, eram perigosos. Porque a gente enchia os canos metálicos com pólvora e era preciso calcular muito bem a quantidade de pólvora. Se a pólvora fosse demais, o cano podia explodir. Aconteceu com um amigo e, por causa disso, ele perdeu um olho.E o ponto alto da brincadeira era no fim da tarde, a meninada toda armada, mocinhos e bandidos. "Carmoni ai!", a gente gritava, para informar o outro que ele acabava de ser atingido por uma bala certeira. Ah! Vocês não sabem o que é "carmoni". "Carmoni" era a transformação linguística do que mocinho e bandidos falavam: "Come on...".Um brinquedo adulto semelhante à brincadeira com o pó de giz são os filmes de crime e violência. Ah! Como eles atiçam nossos impulsos sádicos. Vocês não podem imaginar quantas cabeças eu fiz rolar com minha afiadíssima espada de samurai depois de ver o filme "Shogun". Mas até hoje não decapitei ninguém, embora frequentemente o faça nas minhas fantasias.Eu gostava de caminhar por um parque pelas manhãs. Passavam por mim umas meninas com cara de devassidão para brincar de terem passado a noite em orgias sexuais e bebedeiras e com um cigarrinho pendurado nos beiços...Isso acontecia e acontece todo dia em todos os lugares. Mas não me consta que pais, educadores e autoridades fiquem nervosos como ficaram diante da brincadeira com o pó de giz... Tranquilizem-se. Elas não estão anunciando uma vocação de vida devassa. É brincadeira. Igual a das crianças que brincam com o pó de giz...

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Dissertação: Brincadeiras infantis com pó de giz imitando cocaína e com revólveres de brinquedo podem gerar futuros criminosos?

2-Narração: O protagonista foi uma criança tímida, bom aluno, que brincou muito pouco, e que na vida adulta cometeu um crime que chocou a todos.

3-Carta a Rubem Alves comentando o seu artigo, concordando ou discordando das ideias expostas pelo autor.

4-Dissertação: Aguns videogames podem desencadear um comportamento violento em crianças e adolescentes?
adolescentes

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

HÁBITOS IRRITANTES E PERIGOSOS

Fonte: Folha online
26/10/2009 - 18h51
Usar celular é o hábito mais irritante de motoristas, indica pesquisa britânica
da BBC Brasil
Motoristas que falam no celular enquanto dirigem são a maior fonte de irritação para os britânicos no trânsito, segundo uma pesquisa.
Cerca de mil pessoas participaram do estudo, encomendado pela empresa Autonational Rescue, que oferece serviços de socorro a motoristas cujos carros quebram nas estradas do Reino Unido.
Dessas, 64% consideram o uso do celular o comportamento mais irritante.
Ultrapassar em situações perigosas e "cortar" (ou "fechar") outros motoristas são, nessa ordem, o segundo e terceiro pior hábito dos que dirigem no país.
Correr demais, bloquear a faixa do meio e dirigir muito devagar também foram incluídos na lista dos piores hábitos.
Motoristas britânicos, assim como brasileiros, são proibidos de usar o celular quando dirigem a não ser que usem um fone de ouvido acoplado ao aparelho ou um sistema de viva-voz, de forma a manter suas mãos livres.
Mas segundo o gerente de marketing da Autonational Rescue, Ronan Hart, muitas pessoas não se dão conta de que a proibição também se aplica quando o motorista está parado no sinal ou no congestionamento.
"A única exceção válida é se você usa o telefone para discar 999 (número do serviço de emergência britânico) em uma emergência verdadeira quando não seria seguro parar", disse Hart.

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Dissertação: Os hábitos mais irritantes dos motoristas.

2-Narração: O narrador-personagem conta uma experiência traumática viveu no trânsito devido a um mau hábito.

3-Carta endereçada a um motorista de nome imaginário, condenando um hábito irritante que ele possui.

COMPORTAMENTOS E PROPAGANDAS

Fonte: Folha de São Paulo
Folhateen
São Paulo, segunda-feira, 19 de outubro de 2009
02 NEURÔNIO02neuronio@uol.com.br - 02neuronio.blog.uol.com.br

Jô Hallack - Nina Lemos - Raq Affonso
Comportamentos humanos estranhos
A FELICIDADE DOS CASAIS E A EXIBIÇÃO
Ainda não conseguimos desvendar alguns comportamentos da humanidade (e olha que a gente se esforça faz tempo). Por exemplo, por que as pessoas convidam uma pessoa solteira para um jantar de casal? É assim. Eles chamam dois casais e mais uma amiga solteira. Será que a ideia é exibir a "felicidade" para alguém? A solteira seria a plateia? Será que eles acham que fazer esse tipo de convite é justo e que a solteira em questão vai se divertir? Ou será que o solteiro é uma espécie de álibi para ninguém achar que eles só fazem "programa de casal"? Não, não queremos ser puxadinho da felicidade alheia. Sugestão para esses casos: dizer não. E eles que pensem, que digam e que falem.
DIA DAS BRUXAS NO BRASIL?Também não entendemos por que as pessoas insistem em comemorar o Halloween no Brasil. Fomos criadas em uma época em que era feio ficar copiando as festas dos outros países, principalmente dos Estados Unidos. E deve até ser legal sair por aí fantasiado pedindo doce ou castigo quando se é criança. Mas quem é que brincou disso na infância? Ninguém! Então por que vamos celebrar na adolescência e na vida adulta uma coisa que nunca comemoramos na idade certa, quando tínhamos cinco anos?!E quem precisa de Dia das Bruxas quando se tem o Carnaval? Aliás, Cosme & Damião, alguém se lembrou? Não somos bruxas de mau humor. São apenas (bons) resquícios de uma criação "brinquedo educativo".

AS MULHERES E AS PROPAGANDASQuase todo comercial de bebida tem uma "gostosa" no meio. Não sabemos quando esse fetiche surgiu, mas achamosumtanto quanto bizarro. E uma marca de refrigerante super famosa resolveu inovar: inventou um aplicativo do iPhone que "ajuda" os homens a conquistar muitas mulheres, oferecendo vários tipos femininos e um painel que mostra as conquistas do usuário. Tudo isso pra promoverum novo energético. O aplicativo Amp Up Before You Score também permite que os rapazes adicionem mulheres reais com nome, data do encontro e comentários, e compartilhe isso nas redes sociais. Pegou mal.O diretor de marketing da empresa pediu desculpas, mas disse que não vai tirar o aplicativo do mercado. Nunca gostamos de energético e, com certeza, esse nunca vamos tomar. Nós e uma legião de mulheres que achou essa ideia "genial" o fim da picada.

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

Com base nos textos acima, escreva:

1-Dissertação: O ser humano é especialista em ter comportamentos estranhos.

2-Narração: O narrador-personagem conta a confusão em que se envolveu por ter aceito jantar com dois casais que o conheciam.

3-Dissertação: Comemorar o Dia das Bruxas no Brasil faz sentido?

4-Narração: Fatos estranhos e inexplicáveis ocorrem durante a Festa do Dia das Bruxas.

5-Dissertação: A exploração da figura feminina nas propagandas de bebidas.

sábado, 17 de outubro de 2009

EM DISCUSSÃO, O VOTO DIRETO PARA REITORES DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Fonte: Folha de São Paulo

São Paulo, sábado, 17 de outubro de 2009
Roberto Leal Lobo e Silva Filho: Uma universidade não é um país-->Texto Anterior Próximo TENDÊNCIAS/DEBATES
Universidades públicas deveriam adotar o sistema de eleições diretas para reitor?
NÃO Uma universidade não é um país
ROBERTO LEAL LOBO E SILVA FILHO

APROXIMA-SE o pleito que irá escolher o novo reitor da USP.Neste momento de confronto de ideias típicas das campanhas políticas majoritárias voltam à baila questões relativas às formas de eleição da mais importante universidade brasileira, que, segundo levantamento da Universidade de Xangai Jiao Tong, na China, é a melhor colocada no item "qualidade acadêmica" dentre todas as latino-americanas.Os princípios da democracia política que o Brasil vive nos fazem acreditar que o voto direto pode ser a solução de todos os problemas, até das universidades públicas. Seria, então, a eleição direta para reitor um fator determinante para a melhoria da qualidade de uma universidade pública?Essa questão esbarra inevitavelmente na compreensão de que uma universidade pública deve ser instituição autônoma, mas não soberana como um país democrático, em que representantes são eleitos por todos e suas decisões incidem sobre todos.No serviço público, os efeitos de decisões equivocadas de poucos recaem sobre a população como um todo, e não só sobre a sua comunidade interna. Não faria o menor sentido se, para facilitar seu trabalho, os funcionários dos Correios decidissem, por maioria, não entregar cartas em dias ímpares.O sentido da democracia no setor público é a busca da excelência em seus serviços, uma vez que a sociedade é quem o financia e sofre por causa de seus equívocos e ineficiências.Por essa razão, talvez, é que, dentre as 50 universidades mais bem colocadas na classificação já citada -e que coincide com o senso comum em relação às melhores universidades do mundo-, a eleição direta não é prática adotada para a escolha do reitor.Dentre elas, 37 são americanas. Nelas, o processo de eleição do reitor é feito por um comitê composto por representantes de segmentos da sociedade, alguns externos ao corpo acadêmico.Em enquete realizada pelo professor Jacques Marcovitch, ex-reitor da USP, boas universidades estrangeiras consultadas manifestaram-se contra o modelo de eleições diretas.É importante que a comunidade acadêmica, a imprensa e a sociedade reflitam sobre esse fato e não tomem como óbvio o argumento de que aquilo que se denomina "democratização", representada pelo voto direto, induz automática melhoria da qualidade das atividades acadêmicas. A realidade mundial contradiz tal tese, que não tem fundamento empírico.Ao concluir que a eleição direta não é fator intrínseco de qualidade para as universidades, ao contrário do que pregam seus defensores, essa tese, tida como uma conquista, não esconderia uma visão corporativista de universidade voltada para si mesma?Equivocadamente, entendeu-se a autonomia universitária no Brasil como a absoluta ausência de prestação de contas, na contramão da experiência internacional. Lá fora, cobram-se resultados acadêmicos e administrativo-financeiros das universidades, indicadores que se refletem, cada vez mais, em seus próprios orçamentos.Infelizmente, nossas universidades ainda não desenvolveram processos profundos de avaliação, inclusive da gestão e com forte participação externa, que sejam capazes de gerar consequências internas significativas.Se houvesse um efetivo acompanhamento da sociedade em relação à missão das universidades, a metas e resultados e ao impacto social de suas ações, a forma de eleição seria menos relevante, uma vez que maus resultados seriam cobrados da comunidade interna, e decisões corporativistas que não levassem em conta os interesses da sociedade seriam coibidas.Nas instituições brasileiras que hoje promovem eleições diretas, é comum ouvir dos gestores eleitos que, em virtude dos compromissos eleitorais, se veem limitados a fazer concessões políticas que impedem as mudanças necessárias.Em vista disso, para que a escolha de seus dirigentes seja mais do que uma decisão politicamente correta ou um fim em si mesmo, é preciso que a gestão da universidade seja capaz de induzir melhores resultados, garantir a qualidade dos processos internos e a defesa da meritocracia acadêmica.
ROBERTO LEAL LOBO E SILVA FILHO , 71, professor titular aposentado e ex-reitor da USP (1990-1993) e da Universidade de Mogi das Cruzes (1996-1999), foi diretor do CNPq e é presidente do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia.Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.


São Paulo, sábado, 17 de outubro de 2009
TENDÊNCIAS/DEBATESUniversidades públicas deveriam adotar o sistema de eleições diretas para reitor?
SIM Sistema atual é autoritário e elitista
JOÃO ZANETIC

SOU A favor de eleição direta para reitor(a) da USP por entender que é o processo mais democrático para uma decisão tão importante.Considero extremamente autoritário o atual processo estatutário de escolha de reitor(a), que ocorrerá nas próximas semanas. Creio que um breve histórico auxiliará o leitor a compreender por quê.Em 1964, em decorrência do golpe militar, ao lado da nova palavra de ordem "abaixo a ditadura", o movimento estudantil empunhava a bandeira da reforma universitária.Dentre as principais reivindicações dos estudantes de então, três continuam atuais: 1) democratização da estrutura de poder nas universidades: eleição direta de reitor e diretores de unidades, com participação paritária de docentes, funcionários e estudantes; 2) autonomia universitária nos âmbitos didático-científico, administrativo e de gestão financeira e patrimonial; 3) abolição da cátedra e criação de estrutura departamental, com colegiados democráticos.No decorrer da ditadura militar, essas reivindicações do movimento estudantil foram incorporadas pelas entidades representativas de docentes e funcionários das universidades. E, após a redemocratização, algumas foram incorporadas à Constituição Federal, tornando-se um importante referencial para a definição da política de ensino superior.Destaco dois dos artigos da Constituição relacionados à eleição direta para reitor: "Artigo 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: (...) VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei"; "Artigo 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial e obedecerão ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão".Em função desses dispositivos, até meados dos anos 90, muitas das universidades públicas federais e estaduais organizavam votações paritárias para reitor, cujo resultado era homologado pelos colegiados formais.Em decorrência da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996), a maioria das universidades passou a definir um colégio eleitoral com 70% de professores, 15% de funcionários e 15% de estudantes, convertendo também, em paralelo, os pesos atribuídos a cada categoria nos processos de consulta direta.É algo próximo desses números o que ocorre na indicação de reitor na Unesp e na Unicamp, embora sua eleição não seja tão democrática como nas universidades federais. Isso porque, enquanto nas federais permite-se a candidatura aos professores doutores, na Unesp e na Unicamp só podem se candidatar professores titulares (nível máximo da carreira).Mesmo assim, essas duas universidades estaduais fazem um processo oficial de consulta em que todos podem votar para reitor -logo, muito mais democrático que o vigente na USP, que nem sequer obedece à LDB.Na USP, o processo de indicação de reitor começa com um primeiro turno, em que votam cerca de 1.900 pessoas, das quais só 12% representam os estudantes e funcionários. Assim, são "eleitos" oito professores titulares, cujos nomes são submetidos ao segundo turno, que escolherá três deles.O inacreditável, e provavelmente caso único no planeta, é que o colégio eleitoral do segundo turno é reduzido para 330 pessoas (0,3% da população uspiana) e, nele, os professores titulares têm uma presença em torno de 85%, os estudantes, de 12%, e os funcionários, de mero 1%.Finalmente, numa espécie de terceiro turno de um só eleitor, a lista tríplice é encaminhada ao governador, que escolhe o nome de sua preferência. O que fere a autonomia da universidade, estabelecida no artigo 207 da Constituição Federal.A comunidade da USP continua lutando pela convocação de uma estatuinte livre e exclusiva, que insira na vida da universidade, entre outras, a bandeira histórica de eleição direta paritária para reitor. Situa-se nesse âmbito a eleição democrática para reitor(a) que a Adusp promoveu em 14 e 15/10. Ao contrário do que pregam os arautos da competição e do produtivismo, a atividade acadêmica gera os melhores frutos num contexto solidário e democrático.
JOÃO ZANETIC é professor do Instituto de Física da USP e presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP).Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

QUESTÕES:
1-Com qual tese você concorda? Justifique.

2-A Universidade pública ainda é muito distante dos alunos?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Dissertação: Eleições diretas para reitor nas universidades públicas?

2-Narrativa: Um aluno é punido por protestar contra algumas regras da universidade que ele considera autoritárias.

3-Carta a um dos articulistas discordando das suas colocações.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

VOCÊ É A FAVOR DA ESCOLHA DO RIO COMO SEDE DA OLIMPÍADA DE 2016?

Fonte: Folha de São Paulo


São Paulo, sábado, 03 de outubro de 2009



TENDÊNCIAS/DEBATES

A escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016 é uma boa notícia para o Brasil?
SIM

Uma grande oportunidade

MAURICIO MURAD

TANTAS EXPECTATIVAS e dúvidas, mas está decidido: os Jogos Olímpicos de 2016 serão no Rio de Janeiro. Agora, o importante é o que vamos fazer com essa grande oportunidade. Não podemos perdê-la. Somos bons em diversos esportes, não só no futebol. Neste, é consenso internacional que sobramos. Como identidade cultural, só nossa música se iguala ao futebol.
O Rio venceu fortes concorrentes. Foi escolhido, apesar da violência, da infraestrutura precária, da rede hoteleira insuficiente (transatlânticos virão para a orla carioca para ampliar a oferta de quartos), do trânsito/transporte, da poluição da baía de Guanabara (um dos compromissos do Pan 2007, com tecnologia e balsas australianas, lembram?), da corrupção, da impunidade (o TCU não engoliu as contas do Pan) e das politicagens em todos os níveis.
Nada disso é novidade hoje, embora seja tudo alarmante. A novidade é o que podemos ganhar com os Jogos.
O Comitê Olímpico Internacional e seus investidores exigem muito, cobram resultados, mas também ajudam com segurança, turismo, saúde, educação, meio ambiente.
Com essa gente, não tem brincadeira. Os interesses são enormes, e prazos, metas, orçamentos e compromissos têm que ser cumpridos. Uma boa oportunidade para o Brasil experimentar coletivamente novos conceitos, melhores valores e mentalidades.
A Constituição diz que o esporte é direito do cidadão e dever do Estado.
Que os governantes respeitem a Constituição para que o legado dos Jogos (o do Pan 2007 foi lamentável) se traduza em benefícios para a população, principalmente para seus segmentos mais necessitados, tão carentes de oportunidades e políticas públicas de inclusão social.
A FGV fez estudo e projetou resultados animadores: os Jogos de 2016 no Rio podem repercutir em todo o Brasil até 2020, pelo menos. Isso, claro, se as coisas forem bem feitas.
Como prevê o COI: avaliar, planejar e investir no curto, médio e longo prazos; mapear e intervir nos problemas, com ações socioculturais de alto nível; aproveitar ao máximo o evento antes, durante e depois.
É um direito e um dever ir além do campo esportivo, agregar valores e realizações que fiquem. Temos um histórico de vitórias esportivas. É hora de outras conquistas. Os Jogos são uma chance rara de ajudar a construir e a cumprir esse plano estratégico.
Os ganhos nos níveis do emprego direto e indireto na cultura, na segurança, na educação e em outros domínios são conhecidos. Mas também são conhecidas experiências com baixo resultado.
O Rio é, historicamente, uma cidade esportiva e tem tudo para servir de bom exemplo. Depende de nós: governos (sobretudo), empresários, universidades, escolas, comunidades.
O Brasil precisa ganhar uma alma nova e passar suas instituições a limpo. Que tal aproveitarmos os investimentos e a pressão internacional que virão com os Jogos para fazer da segurança, do meio ambiente, da geração de empregos e da escola verdadeiras prioridades? Não é porque nos falta isso -os críticos têm lá as suas razões- que devemos ser contra a Olimpíada no Rio. Que tal fazermos desse megaevento um meio para melhorarmos em diversos aspectos?
Novos conceitos de cidadania, desenvolvimento e valorização do esporte educacional, envolvimento das escolas e do professorado e uma política de longo prazo para as áreas esportivas são legados exigidos pelo COI. Não são favores, são direitos previstos e bem vistos pelo comitê e por seus patrocinadores.
Temos que fazer mais, organizar melhor e controlar os custos. Bilhões estarão em jogo e sob avaliação internacional. Nossa imagem também.
Esporte é uma atividade socioeducativa, uma expressão de identidade, um fator de socialização. Os esportes contribuem para aproximar da sociedade aqueles que a economia e a política afastam. Nenhum evento esportivo resolverá nossas questões básicas, estruturais e históricas, mas poderá ajudar. E como!
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MAURICIO MURAD , sociólogo, doutor em sociologia do esporte, é professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e da Universo.



A escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016 é uma boa notícia para o Brasil?
NÃO

Uma grande hipocrisia

ALBERTO MURRAY NETO

A DECISÃO do Comitê Olímpico Internacional foi indigna. Mais do que isso, foi hipócrita. Tentaram fazer história à custa do desespero dos pobres. Não acredito que haja no COI alguém que ignore os gravíssimos problemas sociais do Brasil.
Se essa pessoa existe, não merece estar lá. Ou melhor, merece, sim.
Quem achou que fez história ao "dar os Jogos à América do Sul, em razão de seu caráter universal", não pensou no movimento olímpico. Pensou em si mesmo e nos próprios interesses. Daí a hipocrisia.
O Brasil e o Rio são carentes de tudo. Não há escolas, hospitais, moradia, transporte público, alimentação para os pobres, luz elétrica, saneamento básico, esporte etc. As pessoas continuam morrendo de sede, de frio, de bala perdida etc. O Rio é a porta de entrada para o Brasil, o que nos dá visibilidade no exterior. A cidade tem tido a má sorte de, há anos, ser maltratada por políticos incompetentes e mal-intencionados.
Se alguém acha que daqui a sete anos o Rio estará livre dos traficantes de droga e dos tiroteios, que o trânsito será fantástico, que haverá hospitais de qualidade, escolas públicas de excelente nível para todas as crianças, praças esportivas populares espalhadas pela cidade, pessoas morando condignamente, só para citar alguns exemplos, escolha uma bela praia e espere deitado. Para não se cansar.
Nada, rigorosamente nada vai mudar. A baia da Guanabara, por exemplo, vai permanecer um dos locais mais poluídos do mundo. Bela, mas de cheiro insuportável. Uma coisa, na cabeça dessa gente, é certa: o povo, pobre povo do Rio de Janeiro, que se lixe!
Tudo isso é assunto que deverá ser acompanhado de perto. Sei que gente boa do Rio criou algumas ONGs para fiscalizar o uso do dinheiro público.
Que elas trabalhem muito e façam o papel que os organizadores não terão coragem de fazer.
Que essas ONGs escancarem os números, as licitações públicas e quem estará por trás de cada empresa vencedora -isso quando houver a tal licitação. Que o TCU e o Ministério Público não se apequenem e cumpram o seu papel constitucional.
População carioca, assim que a festança acabar, cobre, fique de olho. Não se deixe enganar. Quero ver a patota olímpica fazer em sete anos o que já deveria ter sido feito há mais de 20.
Ainda assim, acho que os atuais administradores do esporte olímpico devem sair. A renovação, salutar em quaisquer circunstâncias, deve ser feita com muito mais razão, até para dar maior transparência ao que ocorrerá à partir de agora. Se permanecerem os mesmos, o final da história já se sabe. Basta ver o Pan e multiplicar por mil o tamanho do escândalo.
Que venha a lei que limita as reeleições indefinidas, já valendo para os atuais mandatários. Já que o COI cometeu essa ignomínia, que se ponha gente do bem para administrá-la.
Nada do que foi escrito e falado sobre a candidatura por quem a ela se opôs é inútil. Tudo, agora com muito mais razão, deverá ser aplicado e observado. A doutrina olímpica da honestidade vai sempre prevalecer.
Venceram, pela coragem do que disseram, tantos e tantos nomes da imprensa, do esporte e da sociedade civil criticando essa manobra olímpica. Que todos continuem seu belo trabalho de fiscalização, agora redobrado.
As obras olímpicas serão muito mais caras, haverá denúncias, escândalos, atrasos nas construções e, acima de tudo, não vão entregar o que prometeram.
Aqueles que gravitam no entorno do movimento olímpico brasileiro vão ficar ouriçados. Viva a agência de turismo! Bravo para a corretora de seguros! Estupendo para a empresa que comercializa os ingressos! E a empresa de marketing esportivo, que vibre muito! As construtoras vão dividir a fatia do bolo? Vai ter construtora falida reerguendo-se à custa desse projeto megalômano? Haverá licitações públicas? Os fornecedores de serviços terão que contratar "consultorias" de terceiros estranhos ao negócio?
Disseram aos brasileiros e aos cariocas que os Jogos Olímpicos seriam a solução dos seus problemas. "Olimpiator Tabajara", seus problemas acabaram. O Nuzman agora vai virar o "Seu Creysson".



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ALBERTO MURRAY NETO , 43, advogado, é árbitro da Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne (Suíça), e diretor da ONG Sylvio de Magalhães Padilha.
www.espn.com.br/albertomurrayneto

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

QUESTÕES:

1-Comente a tese exposta no primeiro artigo, emitindo a sua opinião.

2-Comente a tese exposta no segundo artigo, emitindo a sua opinião.

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Dissertação: Olimpíada no Rio em 2016: uma oportunida ou uma hipocrisia?

2-Narração: Um jovem atleta sem recursos conta as suas dificuldades para conseguir apoio para treinar e competir em uma Olimpíada.

3-Carta ao autor do artigo com o qual você não concorda, criticando o posicionamento expresso no texto.

domingo, 27 de setembro de 2009

EM QUESTÃO O AUMENTO DO NÚMERO DE VEREADORES

Fonte: Folha de São Paulo

São Paulo, domingo, 27 de setembro de 2009

Primeiros suplentes beneficiados por PEC tomam posse em GO
Sessão teve festa e foguetório; possibilidade de implantação imediata da medida foi alvo de críticas

DA AGÊNCIA FOLHA

Em uma sessão solene, acompanhada por suplentes de vereadores de 50 municípios de Goiás, tomaram posse na Câmara de Bela Vista de Goiás (GO), anteontem, os dois primeiros suplentes que foram beneficiados pela emenda constitucional que aumentou o número de cadeiras nos Legislativos municipais.
O presidente da Casa, vereador Eliézer Fernandes (DEM), também presidente da UVG (União dos Vereadores de Goiás), disse que não há no momento nenhuma decisão judicial que impeça o cumprimento imediato da emenda.
"Tomamos a iniciativa de dar posse aos suplentes para dar um exemplo de cumprimento à lei. Não temos nada juridicamente que contrarie a emenda constitucional", disse Fernandes. "A sessão de posse foi uma festa, com foguetório e comemoração."
Promulgada na semana passada, a emenda constitucional nº 58 criou 7.709 vagas de vereador no país, mas ainda há dúvidas sobre a validade imediata da medida. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) prometeu recorrer ao STF para evitar a posse dos suplentes.
Já a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo considerou ilegal a implantação imediata e enviou recomendação aos promotores eleitorais dos municípios do Estado para que busquem anular na Justiça a posse de suplentes nos cargos.
Bela Vista de Goiás (50 km de Goiânia) tem cerca de 22 mil habitantes e, até a semana passada, nove vereadores. Com a nova emenda promulgada, passou para 11 cadeiras. O salário dos vereadores é de R$ 3.715 para cinco sessões mensais.
Tomaram posse o suplente Luiz Pontes Neto (PR), do grupo político de Fernandes e do prefeito, e André Luís (PT), do grupo de oposição.
Fernandes disse que comunicou a iniciativa à juíza eleitoral, ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas dos Municípios, que fiscaliza os gastos das câmaras. (SÍLVIA FREIRE)

QUESTÕES:

1-Comente a notícia acima.

2-Qual é a sua opinião sobre o aumento de 7.709 vereadores no País?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Dissertação: Mais vereadores para quê?

2-Narrativa: Um suplente de vereador conta a sua experiência amarga de se tornar vereador beneficiado pela nova lei. A narrativa passa-se no ano de 2011. Lembre-se que é ficção, não realidade.

3-Crônica: Câmara de vereadores? Parece um circo de horrores. A crônica pode se basear em alguma câmara de determinada cidade ou ser ficção, baseada um pouco em cada câmara que há por aí.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

POLÊMICA EM TORNO DA NOMEAÇÃO DO NOVO MINISTRO DO SUPREMO

Fonte: Folha de São Paulo
São Paulo, segunda-feira, 21 de setembro de 2009


Condenação de Toffoli não deve impedir aprovação
Revelação reforça a polêmica em torno de sua indicação a uma vaga como ministro do Supremo Tribunal Federal

Governo e oposição dizem que é remota a chance de a indicação ser barrada no Senado; advogado deve passar por sabatina na CCJ

Toffoli, indicado a vaga no STF

LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A revelação de que o advogado José Antonio Dias Toffoli tem em seu currículo uma condenação judicial reforça a polêmica em torno de sua indicação a uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal, mas não deve impedir a aprovação do nome dele pelo Senado.
Reservadamente, senadores governistas e da oposição dizem que é muito remota a chance de a indicação ser barrada. Toffoli, o escolhido do presidente Lula, deve ser submetido a uma sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) no dia 30.
Feita a sabatina, a indicação vai a voto na CCJ. Se aprovado, o caso segue para o plenário do Senado. Tanto na CCJ quanto no plenário, o regimento determina que as votações sejam secretas. O governo tem maioria nos dois colegiados.

Condenação
Toffoli e seus sócios no escritório de advocacia Firma Toffoli & Telesca Advogados Associados SC foram condenados pela 2ª Vara Cível do Amapá a devolver R$ 420 mil (R$ 700 mil em valores atualizados) aos cofres públicos do Estado por terem ganho uma licitação supostamente ilegal em 2001 para prestar serviços de advocacia ao governo.
O advogado já havia sido condenado em 2006 pela Justiça do Amapá por uma suspeita parecida. A sentença obrigava Toffoli e o procurador-geral do Amapá em 2000, João Batista Plácido, a ressarcirem o erário em R$ 19.720.
Segundo o governo, Toffoli recebeu o montante para defender a gestão do governador João Capiberibe (PSB) junto a tribunais superiores. O juiz do caso entendeu que houve irregularidade na publicação do contrato.
A assessoria de Toffoli afirmou que a sentença foi anulada no ano passado por ele não ter sido citado corretamente no processo. A ação ainda tramita.

Reputação ilibada
Na sexta-feira, Toffoli telefonou para o presidente da CCJ do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), para avisá-lo de que recorreu da condenação da 2ª Vara Cível do Amapá. Foi um gesto em defesa da tese segundo a qual, como não há uma condenação definitiva, seu nome atende ao requisito de "reputação ilibada", um dos a serem analisados pelo Senado.
A condenação de Toffoli se soma a outras polêmicas: ex-advogado do PT, ele se licenciou da Advocacia Geral da União, que defende o governo. Além disso, seu currículo é questionado - ele não fez mestrado ou doutorado e foi reprovado em dois concursos para juiz estadual, em 1994 e 1995.
Um dos principais críticos à escolha de Toffoli, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) diz que a condenação "é uma mancha irreversível". "A indicação compromete o presidente, e o aval a esta indicação compromete o Senado", diz ele.

QUESTÕES:

1-É correto o presidente da república indicar para ministro do Supremo alguém que tenha sido condenado em dois processos envolvendo desvio de dinheiro público?

2-Será que o Senado deixará de aprovar a indicação do presidente, vetando o nome de Toffoli para o STF?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Dissertação: A responsabilide na escolha de um ministro do Supremo.

2-Narração: O protagonista sempre atropelou a ética e alcançou um cargo público muito importante no Executivo, Legislativo ou Judiciário.

3-Carta: Ao presidente da república questionando a nomeação de Toffoli para ministro do STF.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O CONFLITO E A GUERRA

Fonte: Folha de São Paulo
Folha Equilíbrio

São Paulo, quinta-feira, 17 de setembro de 2009


NEUROCIÊNCIA

Suzana Herculano-Houzel

Jogos de guerra
Ah, a globalização: ontem estava na minha casinha, hoje estou nos Estados Unidos cuidando da colaboração entre meu laboratório e o do Jon Kaas, da Universidade Vanderbilt.
Como nas últimas vezes, ele e sua mulher me hospedam. Enquanto começo a espalhar meus papéis na mesa da sala e decido por qual artigo começar, Jon cuida da sua tarefa habitual dos sábados: assistir aos jogos de futebol americano na televisão.
Foi assim que descobri que adoro o jogo. Acho muito mais divertido do que o nosso futebol, onde um jogo pode se arrastar por mais de uma hora com a bola rolando e sem um gol sequer. No futebol americano não tem enrolação: cada lance é emocionante, sempre tem algo acontecendo conforme um time tenta avançar míseros dez metros com a bola e o outro faz de tudo para impedir.
E ainda tem as peculiaridades das regras. Todas as regras de esportes são arbitrárias, mas as do futebol americano têm um objetivo muito importante: manter um certo nível de cavalheirismo e gentileza em um jogo onde o objetivo é derrubar quem estiver com a bola.
Acho divertidíssimo: não se pode encostar em quem estiver de mãos vazias, mas basta interceptar a bola e você se torna alvo -legítimo!- de uma dezena de brucutus vitaminados e protegidos pela versão "light" da armadura das guerras de outrora.
Por que gostamos tanto de assistir a embates esportivos? Posso pensar em várias razões -o prazer de conferir desempenhos excepcionais muito além de nossas capacidades cotidianas, a identificação com um jogador ou um time, o conforto de não precisar se mexer enquanto alguém faz isso por você.
Mas talvez esportes coletivos sejam especialmente empolgantes porque funcionam como substitutos das guerras de antigamente para satisfazer nossos desejos de sangue (metafórico e nem tanto) relacionados a dominação, territorialidade e aos nossos vínculos sociais: o senso de coletividade e a identificação com um grupo junto do qual nos opomos ao inimigo.
Existe até uma região no cérebro responsável pela formação desses vínculos sociais: os núcleos septais, bem na linha média do cérebro. Além disso, a neurociência já sabe que somos capazes de compartilhar do prazer das pessoas com quem nos identificamos, de modo que o prazer do seu jogador favorito ao fazer um gol se torna o prazer do seu sistema de recompensa também -e de uma nação inteira, quando o que está em jogo é a honra nacional. Se não há guerra, cria-se uma no gramado.

SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora do livro "Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor" (ed. Sextante) e do blog "A Neurocientista de Plantão" (www.suzanaherculanohouzel.com )

suzanahh@gmail.com

QUESTÕES:
1-Comente o artigo de Suzana Herculano-Houzel

2-Será que nunca superaremos o nosso vínculo com a disputa e o conflito?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Dissertação: O conflito move a narrativa e também as relações humanas.

2-Narração: Narrador-personagem relata como a sua vida ganhou impulso a partir do momento em que um colega de trabalho ou de escola passou a atormentá-lo.

3-Carta: Namorado escreve carta à namorada explicando que, apesar de gostar muito dela, está rompendo o namoro por ela ser boazinha demais, concordar com tudo, tendo com isso tornado a relação monótona.

4-Crônica: Escreva uma crônica a partir da frase de Carlos Drummond de Andrade: "A guerra é o estado natural do homem, a paz são as férias."

5-Dissertação: O ser primitivo que nos habita pode mais que o animal racional que afirmamos ser?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

11 DE SETEMBRO

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Escreva uma dissertação a partir do tema: O 11 de setembro oito anos depois.

2-Mais uma dissertação: Os inúmeros 11 de setembro que a mídia esquece.

3-Escreva uma crônica: Naquele dia 11 de setembro, eu estava...

domingo, 6 de setembro de 2009

O PERIGO DA ESPECULAÇÃO ATIVA

Fonte: Folha de São Paulo

São Paulo, domingo, 06 de setembro de 2009


YOSHIAKI NAKANO

As novas minibolhas

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O que deveria preocupar as autoridades econômicas não é a inflação, mas a possível formação de novas bolhas
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A IMENSA rede de socorro, sem precedentes na história, lançada pelos governos de todo o mundo sobre o sistema financeiro, evitou seu colapso total. Da mesma forma, a rápida reação deles, injetando recursos fiscais para sustentar a demanda agregada, evitou a Depressão. Mais rapidamente do que todos esperavam, as economias já começam a esboçar uma reação.
Ainda assim, as desenvolvidas deverão sofrer, neste ano, contração de mais de 4% nos seus PIBs. Em 2010, os países da zona do euro, agora mais otimistas, esperam crescimento pífio de 0,2%; e o desemprego deverá continuar aumentando. Ninguém espera resultados muito melhores para os EUA. O que não sabemos ainda é se a recuperação terá formato de U, com base achatada e prolongada, ou W ou WWW, como ocorreu com o Japão depois da crise financeira que explodiu no final de 1989. Tudo dependerá se os governos serão capazes de enfrentar alguns desafios que já se colocam.
O principal desafio será a nova regulação e controles que deverão ser impostos sobre o sistema financeiro. Bolhas e crises só prosperam se houver expansão excessiva de crédito. Na atual crise, a expansão excessiva de crédito não veio do sistema bancário tradicional -instituições que captam depósitos e fazem empréstimos limitados e sob controle dos bancos centrais. Essas instituições perderam espaço nas últimas décadas: enquanto em 1980 respondiam por cerca de 55% do total de ativos do sistema, em 2005 sua participação havia caído para 24%.
A forte e descontrolada expansão de liquidez e crédito veio de novos instrumentos e novas instituições introduzidas exatamente para contornar a regulação adotada depois da crise de 1930. Operações de mercado com a securitização financiadas no mercado de moeda tiveram um papel preponderante. Diversos tipos de fundo, as corretoras e as distribuidoras desenvolveram capacidade ilimitada de gerar crédito através de operações puramente especulativas. Os próprios bancos tradicionais desenvolveram operações não registradas nos seus balanços, endividando-se no curtíssimo prazo para financiar compras de ativos mais rentáveis de longo prazo, inclusive os títulos lastreados em hipotecas "subprime". Esse imenso "sistema bancário paralelo" é que deverá ser um dos focos da nova regulação.
Enquanto isso, esse "sistema bancário paralelo" continua com suas operações especulativas e tudo indica que já criou novas minibolhas que poderão trazer novas instabilidades financeiras. Como explicar o boom das Bolsas de alguns países emergentes, o petróleo a mais de US$ 70 o barril e a recuperação do preço de algumas outras commodities em plena recessão mundial? A operação de salvamento do sistema financeiro levou os bancos centrais a injetar trilhões de dólares, a uma taxa de juros próxima a zero, portanto municiando esse sistema com recursos a custos próximos de zero para especular, inflando os preços de alguns ativos. O que deveria preocupar as autoridades, devido à excessiva expansão monetária em resposta à crise, não é a inflação, mas a formação de novas bolhas -portanto de novas crises dentro da crise.

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YOSHIAKI NAKANO , 65, diretor da Escola de Economia de São Paulo, da FGV (Fundação Getulio Vargas), foi secretário da Fazenda do Estado de São Paulo no governo Mario Covas (1995-2001).

QUESTÕES:
1- A partir do texto, responda: o que são as minibolhas?

2-Dá para imaginar uma economia que consiga extirpar as minibolhas?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Escreva uma dissertação que tenha como tema: Como combater as minibolhas?
2-Escreva uma narração em que o protagonista seja um cientista especializado em nanotecnologia, que entra em uma minibolha para ter uma nova visão das pessoas e do mundo a sua volta.
3-Escreva uma carta ao articulista e professor Yoshiaki Nakano comentando o seu artigo sobre as minibolhas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O ORKUT JÁ ERA?

Fonte: Folha de São Paulo- Folhateen

São Paulo, segunda-feira, 31 de agosto de 2009



INTERNETS

Ronaldo Lemos - ronaldolemos09@gmail.com

O Orkut nunca esteve tão legal
Tem uma mensagem subliminar aparecendo em muitas matérias e conversas na rede e na imprensa. Ela diz algo como "o Orkut já era, legal agora é o Facebook". Ela deu até origem a um novo verbo: "orkutização". Por exemplo, muita gente falando da "orkutização" do Twitter.
O significado é duplo. Por um lado, refere-se à excessiva exposição do Twitter na mídia, lembrando o que acontecia com o Orkut no final de 2004.
Por outro, reclama da "popularização", do fato de o site deixar de ser um reduto de antenados, geeks e nerds e ficar um pouco mais parecido com o mundo real (para o horror de muitos daqueles).
Pois bem, achei que valia fazer aqui uma pequena homenagem ao Orkut. Primeiro porque o site fez do Brasil uma espécie de pioneiro em redes sociais. A sensação de ter grande parte do seu círculo social on-line, que muitos brasileiros tiveram desde meados de 2004, levou pelo menos dois anos adicionais para acontecer de verdade em outros países (incluindo os EUA).
Além disso, muita gente aprendeu o bê-á-bá da internet (como fazer upload de uma foto, por exemplo) por causa dele. E aí incluem-se os milhões de pessoas que vieram pelas LAN houses de todo o Brasil e que nunca tinham acessado a rede.
Com isso, o Orkut tornou-se um espelho do que é o país, com uma diversidade inacreditável. Ficou para trás a fase em que era um clube ocupado por pessoas bastante homogêneas, com os mesmos gostos e perfil demográfico. O Orkut de hoje é uma ferramenta fascinante para conhecer o Brasil.
Onde mais na rede dá para ficar sabendo do movimento playsson "strondando" nos bairros pobres do Brasil ou da pisadinha, ritmo derivado do forró que está alucinando muita gente? Olhei no Facebook e não havia nada. Já no Orkut há centenas de referências (e comunidades com milhares de pessoas).
Parafraseando os irmãos Marx, prefiro a diversidade, conviver com clubes que não me aceitem como sócio. E por isso o Orkut nunca esteve tão legal.

QUESTÕES:

1-Você concorda com Ronaldo Lemos quando ele afirma que o Orkut nunca esteve tão legal?

2-O que o Orkut representa para você?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Escreva uma dissertação que tenha como tema: Vivemos a era das comunidades virtuais.

2-Escreva uma narrativa em que o narrador-personagem conta uma experiência ruim que viveu no Orkut.

3-Escreva uma carta a um amigo contando por que você decidiu não acessar mais o Orkut.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

GOVERNABILIDADE MAIS DESCABIDA ESSA

Fonte: Folha de São Paulo
São Paulo, terça-feira, 25 de agosto de 2009


CLÓVIS ROSSI

Governabilidade porca
SÃO PAULO - Quem inventou, pelo menos na história recente, esse modelo porco de governabilidade que vigora no Brasil foi Fernando Henrique Cardoso, lembra-se?
Foi ele quem buscou um acordo com o então PFL, hoje DEM, apesar de os líderes do PSDB e do pefelê terem estado na calçada oposta desde sempre.
Na campanha de 1994, durante um "Roda Viva", apontei ao então candidato o que me parecia uma contradição grave. FHC respondeu com uma falácia, ao citar como exemplo de aliança entre contrários o fato de que o Partido Socialista e a Democracia Cristã do Chile governavam em coligação (governam até hoje), embora tivessem sido adversários a vida toda.
É verdade, mas é só metade (ou menos) da verdade. PS e DC uniram-se já na ditadura -e contra a ditadura. PSDB e PFL uniram-se pelo poder. Ponto. É da mesma natureza a aliança PT-PMDB.
Eu seria capaz de apostar que, assim como FHC acabou entrando em confronto com Antonio Carlos Magalhães, a mais estridente liderança pefelista, sem que a governabilidade tivesse sido minimamente afetada, Lula também poderia ter se omitido no caso Sarney -e não aconteceria rigorosamente nada com a governabilidade.
Sejamos francos: não há nenhum tipo de lealdade na política brasileira, nem programática, nem partidária, nem mesmo pessoal. A lealdade é com o poder. Ponto.
Basta lembrar que Renan Calheiros (PMDB) foi forçado a renunciar à Presidência do Senado sem que se rompesse a aliança do partido com o poder de turno.
O PMDB só se mexeria de fato se Lula (ou FHC antes dele, seja com o PFL, seja com o próprio PMDB) começasse a tirar as "boquinhas" cedidas ao partido. Aí, sim, haveria uma verdadeira ameaça ao único programa do PMDB, que é o poder, a maior cota possível dele.

crossi@uol.com.br

QUESTÕES:
1-Você concorda com o título do artigo de Clóvis Rossi? Justifique.

2-No seu ponto de vista, essa relação entre os partidos tem que nome?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Escreva uma dissertação que tenha como tema: LEALDADE NA POLÍTICA BRASILEIRA: REALIDADE OU FICÇÂO?

2-Escreva uma narrativa que tenha como narrador-personagem um político leal ao poder da forma mais descarada possível.

3-Escreva uma carta a seu avô ou a um tio mais velho perguntando a ele se a política praticada na época deles era parecida com a de hoje.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

LEIA E ANALISE A FRASE

ABSURDO
"É completamente absurdo. Só em sociedades muito violentas os homicídios abocanham essa fatia das mortes"
IGNACIO CANO
sociólogo do Laboratório de Análises da Violência da Uerj, um dos autores de estudo que mostrou que no Brasil os homicídios já são a causa de 45% das mortes de jovens de 12 a 18 anos, ontem na Folha.

QUESTÕES:
1-Você considera que vivemos em uma sociedade muito violenta? Argumente.

2-Quais as principais causas da violência que vitima os jovens?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Escreva uma narrativa em que o protagonista seja um parente próximo de um jovem que foi vítima de violência.
2-Escreva uma dissertação que tenha como tema: COMO PROTEGER OS JOVENS DA VIOLÊNCIA?
3-Escreva uma carta assumindo a identidade de um jovem que já foi assaltado várias vezes, endereçada ao governador do Estado, José Serra, pedindo a ele que tome uma providência para conter a violência, já que a segurança é de responsabilidade dos governos estaduais.

domingo, 16 de agosto de 2009

O AVANÇO ESPANTOSO DA ASTRONOMIA

Fonte: Folha de São Paulo
domingo, 16 de agosto de 2009

Telescópios verão toda a história do cosmo
Grandes instrumentos que funcionarão a partir da próxima década irão revelar eventos celestes inéditos, diz cientista

Máquinas vão investigar as primeiras estrelas do Universo, a forma da Via Láctea e a composição de planetas extrassolares

RAFAEL GARCIA
ENVIADO ESPECIAL AO RIO

A partir da próxima década, a astronomia terá pela primeira vez um arsenal de telescópios capaz de investigar toda a história do cosmo. Em um dos encontros que encerraram anteontem a Assembleia Geral da IAU (União Astronômica Internacional), cientistas relataram que sete das propostas mais ambiciosas de telescópios estão em andamento.
Por serem caros, alguns projetos ainda não obtiveram financiamento completo, mas todos têm pelo menos o dinheiro inicial. Uma vez prontos, os instrumentos revelarão em detalhes como eram as primeiras estrelas do Universo, mostrarão qual é a forma da Via Láctea e captarão com facilidade a luz vinda direto de planetas de fora do Sistema Solar.
"Nós seremos, então, literalmente, capazes de estudar objetos de todas as idades do Universo, desde as primeiras coisas que se formaram até hoje", disse Gerard Gilmore à Folha, astrônomo da Universidade de Cambridge (Reino Unido).
Capazes de enxergar a luz e outros tipos de radiação magnética em todas as frequências, cientistas terão pela primeira vez uma visão em alta resolução delas.
Gilmore, que coordenou o encontro sobre telescópios no Rio de Janeiro, participa do Gaia, da ESA (Agência Espacial Europeia). O projeto, que recebeu 500 milhões, está com a agenda em dia, e decola ao espaço em 2012.
O Telescópio Espacial James Webb, iniciativa conjunta da Nasa e da ESA, de US$ 5 bilhões, deve zarpar em 2014.

Ambição
Em terra firme, o gigantesco GMT (Telescópio Gigante de Magalhães), de 24 metros de largura, mal começou a ser fabricado. Segundo Matthew Colless, astrônomo encarregado de representar o projeto na IAU, US$ 200 milhões do total de US$ 690 necessários já estão em caixa, saídos de EUA, Austrália e Coreia do Sul. O GMT será instalado no Observatório Las Campanas, no Chile, mas deve ficar pronto só em 2018. Será um salto ambicioso para a astronomia. O maior instrumento óptico em operação hoje, o Grande Telescópio das Canárias, não tem nem a metade deste tamanho.
Se tudo correr certo, em 2018 deverão estar prontos também outros dois projetos, maiores ainda. Eles são o TMT (Telescópio de Trinta Metros), no Havaí, e o E-ELT (Telescópio Europeu Extremamente Grande), com 42 metros de largura, que ainda não escolheu locação. Cada um deverá custar algo em torno de US$ 1 bilhão. Não é megalomania, dizem os astrônomos. O problema é que a precisão desses instrumentos depende diretamente de seu diâmetro, explica Markus Kissler-Patig, do E-ELT.
A façanha do ponto de vista de engenharia, porém, fascina a todos. "O domo do nosso telescópio será do tamanho de um estádio de futebol".
O observatório gigante mais perto de começar a operar, porém, não terá telescópios individuais tão largos. O projeto ALMA, no Chile, um arranjo de 66 grandes antenas parabólicas para captação de micro-ondas emitidas por corpos celestes, fará as primeiras observações em 2011. Micro-ondas não são visíveis pelo olho humano, mas são fundamentais em astronomia, explica Alison Peck, que apresentou o projeto no Rio. "Elas permitem ver atrás de grandes nuvens de poeira e gás, como aquelas em regiões onde nascem as estrelas", diz.
O maior observatório do mundo, o SKA (Square Kilometer Array), também não verá luz. Especializado em captar ondas de rádio, deve ficar pronto em 2017, construído num esforço conjunto entre 19 países. Austrália e África do Sul disputam a hospedagem. Custando cerca de US$ 1,5 bilhão, o SKA consistirá em 3.000 radiotelescópios espalhados numa área de até 3.000 km de extensão.
Com tanta verba gasta em telescópios, a impressão que se tem é de não falta dinheiro. Segundo Gilmore, porém, o que permitiu aos telescópios darem um salto tão grande não foi o dinheiro, e sim a engenharia. "Aprendemos a usar computadores com muita precisão".
Ainda assim, Gilmore diz temer que a astronomia caia no mesmo beco sem saída da física de partículas: o orçamento do mundo inteiro para esse campo é consumido basicamente pelo acelerador de partículas LHC. "O espaço para individualismo está diminuindo na astronomia, também", diz.

QUESTÕES:
1-Comente a notícia acima.

2-Esses telescópios serão capazes de finalmente desvendar o mistério da origem do universo e da vida?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:
1-Escreva uma dissertação que tenha como tema: A FASCINANTE VIAGEM PELOS LUGARES MAIS REMOTOS DO UNIVERSO.

2-Escreva uma narrativa que tenha como protagonista um astronauta no ano de 2100 que chegou a um local do universo completamente inusitado.

3-Escreva uma crônica que tenha como tema a busca dos cientistas por vida em outros planetas e galáxias.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

AS VANTAGENS DA ENERGIA EÓLICA

Fonte: Folha de São Paulo

São Paulo, segunda-feira, 10 de agosto de 2009


Editoriais


NOVOS VENTOS
Chineses incluem energia eólica entre prioridades estratégicas, enquanto no Brasil essa alternativa ainda é pouco explorada

UM DITO atribuído ao romano Sêneca afirma que não existe vento a favor de quem não sabe a que porto quer chegar. A tirada se aplica bem à ausência de uma política audaciosa do governo brasileiro para fazer deslanchar as energias alternativas, em especial a eólica - a eletricidade gerada pelos ventos.
É o setor energético que mais cresce no mundo, tendo multiplicado por 15 a capacidade instalada de geração em dez anos. Dos 121 mil megawatts (MW) existentes em 2008, 403 MW (0,3%) estão no Brasil. Os campeões são os EUA (21%), a Alemanha (20%) e a Espanha (14%), mas a China chegou ao quarto lugar (10%) depois de duplicar a capacidade entre 2007 e 2008.
A administração Lula, que só pensa no pré-sal, mal acordou para o caráter estratégico dessa corrida. Contemplou a energia eólica, é verdade, em seu pouco ambicioso programa de fontes alternativas (Proinfa).
Sem ele, o país ainda estaria no patamar de 29 MW (2005), como assinalou o jornal "Valor Econômico". Mas a capacidade atual representa menos de dois milésimos do potencial existente no território nacional, em particular no Nordeste e no Sul.
A energia dos ventos é cara, já se sabe, mas os preços estão caindo. Para ganhar escala, necessita de apoio e incentivos governamentais, como ocorreu com o Proálcool e como ocorre agora com os parques eólicos naqueles países que se decidiram a multiplicá-los, de olho na redução de gases do efeito estufa emitidos por termelétricas a carvão, gás e óleo e na diminuição de sua dependência de petróleo.
A eletricidade das turbinas de ar também é pouco confiável, porque os ventos variam muito. No Brasil, contudo, eles se apresentam mais intensos no período em que escasseiam as chuvas e se esvaziam os reservatórios das represas. Tem, portanto, a vantagem adicional de complementar o sistema hidrelétrico e aumentar a segurança do fornecimento de energia.
Além do Proinfa, o governo federal criou no BNDES linhas especiais para financiar produção, exportação e instalação de turbinas, neste último caso gerando uma capacidade instalada de 300 MW. Há ainda um leilão específico para contratar energia eólica marcado para novembro, ao qual se habilitaram 441 projetos, que totalizam 13,3 mil MW. Uma boa surpresa, mas é imprevisível quantos deles se materializarão, se contratados, como ensina a experiência do Proinfa.
Compare-se isso com o caso da China, onde se constroem no presente seis parques eólicos com capacidade de 10 mil MW a 20 mil MW -cada um. Além da energia, o governo do país mais poluidor do planeta (ao lado dos EUA) espera gerar com eles demanda doméstica em escala suficiente para impulsionar sua própria indústria, à qual dá clara preferência nas licitações (já sob acusações de protecionismo).
Pequim, como se vê, sabe exatamente o que quer: dominar o bilionário mercado de turbinas no futuro próximo.

QUESTÕES:
1-Segundo o editorial da Folha, quais as vantagens da energia eólica sobre outras fontes de energia?

2-Você a favor de o governo investir pesado em energia eólica? Justifique.

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Escreva uma narrativa fantástica em que o narrador-personagem foi levado pelo vento e chegou a uma terra estranha e surpreendente, onde não para de ventar.

2-Escreva uma dissertação que tenha como tema: O Brasil e as fontes alternativas e limpas de energia.

3-Escreva uma crônica que tenha como título: Maus Ventos, sobre a crise política no Senado e a absolvição das onze denúncias contra Sarney, pelo Conselho de Ética, em tempo recorde.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

COLLOR ARRASA SARNEY EM OUTROS TEMPOS


Fonte: Olhos da eternidade

Na campanha presidencial de 1989, Collor ataca violentamente o então presidente José Sarney. Hoje, é um dos seus maiores aliados. Assista ao vídeo, faça a sua leitura e escreva uma dissertação sobre a mudança de atitude de Collor em relação a Sarney.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

FAÇA A SUA LEITURA



Proposta temática:

Escreva um texto utilizando o recurso da livre associação de ideias e sensações. Não se reprima.
Fonte: E.Graeff

domingo, 2 de agosto de 2009

SEIS MESES DO LEITURAS E PROPOSTAS

Hoje, o Leitura e Propostas completa seis meses. Foi o meu primeiro blog e é o que possui maior número de seguidores.

Agradeço a todos os meus leitores e seguidores que me motivam a continuar atualizando-o, com textos, questões e propostas de redação.
Vamos em frente.

Muito obrigado.

Jaime Leitão

OS "DONOS" DA NATUREZA





Fontes: Revista Veja
e www.arquivoetc.blogspot.com
Fotos: Oscar Cabral, Raul Júnior e divulgação.

Domingo, Agosto 02, 2009
Ambiente
RICOS QUE DEVASTAM
DA VEJA
FAXINA NAS ILHAS DE ANGRA
O mais badalado balneário do Brasil é alvo de uma megaoperação ambiental. Mais de 150 processos de licenciamento estão sendo revistos – e as multas
são salgadas como o mar

Marcelo Bortoloti

Fotos Oscar Cabral e Divulgação

MAQUIAGEM NATURAL
Do barco, a mata da Ilha da Cavala parece exuberante; do helicóptero, porém, o cenário é de devastação


Vista do mar, a Ilha da Cavala, na baía de Angra dos Reis, no litoral fluminense, parece um pedaço intocado de Mata Atlântica. Mas há um ano, sobrevoando a região de helicóptero, fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) descobriram que, em seu miolo, a floresta dera lugar a uma mansão de 1 800 metros quadrados. Ela pertence ao empresário Antônio Cláudio Brandão, um dos sócios da rede Localiza, e foi construída sem licença ambiental. Multado em 1 milhão de reais, Brandão recorreu, mas a obra, praticamente concluída, está embargada. Outras duas multas, no valor total de 850.000 reais, couberam ao empresário paulista Rolf Baumgart, dono do Shopping Center Norte e da indústria química Vedacit. Ele foi autuado por construir uma casa sobre um costão rochoso, com píer e heliponto, na Ilha das Palmeiras. O Ibama determinou a paralisação da obra, mas não foi atendido. A Polícia Federal, então, prendeu os pedreiros (pois é, sobrou para os coitados) e apreendeu um minitrator e três barcos que transportavam material de construção. Esses são apenas os dois casos mais ruidosos de devastação promovida por gente graúda em Angra dos Reis, cujas ilhas chegam a ser negociadas por até 18 milhões de reais. Desde 2007, o Ibama aplicou dezessete autos de infração a proprietários de mansões da região. O Ministério Público abriu catorze processos para demolição e a prefeitura de Angra dos Reis diz ter outros setenta em andamento. Para completar, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), criado neste ano para cuidar das licenças ambientais no Rio de Janeiro, está revendo 164 processos de licenciamento.

Fotos Oscar Cabral e Raul Junior

NA JUSTIÇA
Luciano Huck e sua casa em Angra dos Reis: acusado de dragagem ilegal, para fazer
uma praia artificial


A baía de Angra dos Reis abriga em suas águas verde-esmeralda 365 ilhas, das quais 150 são habitáveis. Na década de 70, embora o lugar já atraísse famosos, como o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, havia apenas uma aldeia de pescadores debruçada sobre o mar. Com a inauguração da Estrada Rio-Santos, a ocupação desse paraíso explodiu – e, agora, a investida dos órgãos de fiscalização e controle ambiental revelou um emaranhado legal. No início, como as ilhas são patrimônio da União, comprava-se o direito de posse adquirido pelos pescadores e construía-se nelas o que se quisesse. Não havia legislação específica a respeito. Embora o Código Florestal, de 1965, a Política Nacional do Meio Ambiente, de 1981, e o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, de 1988, já falassem na preservação da área, os órgãos ambientais entendiam – ou fingiam entender – que a restrição se referia apenas à ocupação industrial. Em 1994, finalmente, o governo estadual regulamentou uma lei que transformava as ilhas em Área de Proteção Ambiental. Ela identificava locais onde não se podia mais construir e proibia a ampliação das casas já existentes em mais de 50% do tamanho da construção original.

Tudo bonito no papel. Na realidade, a oportuna falta de funcionários que deveriam fazer a lei ser cumprida, somada à corrupção endêmica dos poucos fiscais existentes, permitiu que muitos ricaços continuassem a desmatar. O cerco apertou há apenas três anos. Em 2006, 25 funcionários do Ibama foram presos pela Polícia Federal por fraude na fiscalização. Em 2007, mais dezenove pessoas foram presas, incluindo funcionários da prefeitura de Angra dos Reis e do governo estadual, envolvidos num esquema de venda de licenças. Enquanto vários proprietários ainda insistem em burlar a lei, outros tentam regularizar situações não raro herdadas dos antigos donos. Certos casos exigirão bom senso por parte das autoridades.

"Se o problema é somente a falta da licença ambiental, fica mais fácil resolver. Mas há casas já construídas que não podem ser licenciadas, seja porque foram feitas em locais que passaram a ser proibidos, seja porque têm dimensões não mais sancionadas pela lei. Estamos estudando que solução dar a essas situações", diz Júlio Avelar, superintendente do Inea na região. O apresentador da Rede Globo Luciano Huck foi acionado pelo fato de sua mansão, na Ilha das Palmeiras, ter sido erguida sobre o espelho-d'água e as rochas, o que é proibido. Huck recorreu à Justiça e ganhou, com a justificativa de que a casa original fora construída em 1971, antes da entrada em vigor da legislação atual, e ele apenas a reformara. Ele enfrenta, contudo, outro processo: foi acusado de executar uma dragagem para construção de praia artificial sem licença para tanto. "Não estou preocupado. Mas acho importante que o poder público deixe as regras mais claras", diz Huck. Seria mesmo ótimo que tudo, além da água do mar, fosse cristalino em Angra dos Reis.

QUESTÕES:
1-Comente a matéria da Veja.

2-Comente a frase: Rico costuma se achar dono de tudo.


PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Escreva uma dissertação que tenha como tema: Devastadores de luxo.

2-Escreva uma carta ao apresentador Luciano Huck criticando-o por ter construído a sua mansão em uma área de preservação ambiental.

3-Escreva uma narrativa em que o protagonista transforma uma floresta em um clube para sócios milionários. Desenvolva o conflito.

sábado, 1 de agosto de 2009

A PANDEMIA EM CENA

Fonte: Folha de São Paulo

sábado, 01 de agosto de 2009


DRAUZIO VARELLA

A gripe que não tem fim

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Estamos vivendo uma era de pandemias que se iniciou em 1918, com a gripe espanhola
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O VÍRUS H1N1 causador da gripe atual anda à espreita da humanidade há mais de 90 anos. Estamos vivendo uma era de pandemias que se iniciou em 1918, com a gripe espanhola. Naquele ano surgiu um novo vírus -mais tarde classificado como H1N1- com seus oito genes arranjados num formato que o sistema imunológico humano desconhecia. Pagamos caro pelo desconhecimento: 40 a 50 milhões de casos fatais.
É quase certo que esse vírus tenha se originado nas aves e migrado para a espécie humana, quando o acaso agrupou seus oito genes num arranjo tal que a estrutura resultante adquiriu a capacidade de transmitir-se de uma pessoa para outra.
À medida que a gripe espanhola se disseminava pelo mundo, trabalhadores rurais transmitiram o vírus para os porcos. Desde então, os H1N1 das gripes suína e humana têm sofrido mutações, arranjos e rearranjos de seus genes, que lhes permitiram sobreviver aos ataques do sistema imunológico de seus hospedeiros, sejam porcos ou humanos.
Como na natureza o vírus influenza A não infecta apenas porcos e homens, mas principalmente as aves, as possibilidades de novas mutações e de arranjos genéticos se ampliam de maneira descomunal, em virtude das dimensões do reservatório mundial representado pelas aves domésticas e selvagens.
Acostumados a atacar as mucosas que revestem o trato digestivo de milhares de espécies de aves, algumas das quais infectadas ao mesmo tempo por diferentes vírus influenza que trocam fragmentos genéticos uns com os outros, é inevitável que surjam partículas virais com habilidade para sobreviver em hospedeiros de outras espécies.
Em 1947, a vacina contra a gripe sazonal daquele ano não protegeu contra a doença. A ausência de atividade ocorreu porque o H1N1 que se disseminou depois da Segunda Guerra apresentava variações em sua estrutura molecular que o tornavam muito diverso dos que circularam antes da guerra.
Como por encanto, o influenza A (H1N1) desapareceu do reservatório humano, em 1957. Foi desalojado por um vírus resultante da recombinação de cinco genes do mesmo H1N1 da linhagem de 1918, com outros três genes de origem aviária. As partículas virais resultantes, batizadas de H2N2, provocaram a pandemia de gripe asiática, causadora de cerca de 1,5 milhão de mortes.
Em 1968, novas combinações genéticas deram origem ao H3N2, responsável pela terceira pandemia do século 20: a gripe Hong Kong, que provocou quase 1 milhão de óbitos.
O H1N1 ressurgiu das cinzas apenas em novembro de 1977, causando epidemias de gripe de pouca gravidade na antiga União Soviética, em Hong Kong e no nordeste da China. Do ponto de vista genético, o vírus guardava relação com o H1N1 que causou gripes sazonais em 1950.
Os virologistas admitem que essa reemergência aconteceu graças à liberação acidental de uma amostra do vírus H1N1 isolado na Escandinávia em 1950, e armazenado em laboratório. Está demonstrado que vírus influenza A (H1N1) circulam entre porcos norte-americanos desde os anos 1930, mas não haviam sido isolados em suínos europeus até 1976, quando chegou à Itália um carregamento de porcos americanos.
Em seguida, patos selvagens introduziram entre os porcos europeus um novo vírus H1N1. Em 1979, apenas três anos depois da importação, a nova cepa de origem aviária se tornou predominante na Europa. Acontecimentos semelhantes ocorreram na China.
Em 1998, foi identificado pela primeira vez em porcos norte-americanos um novo H1N1, com genes resultantes de um triplo arranjo genético: cinco fragmentos de seus genes vinham da gripe suína norte-americana clássica, dois da gripe das aves e um da gripe humana. Entre 2005 e 2009, sugiram pelo menos 11 casos de gripe causada por esse vírus; quase todos entre pessoas que tiveram contato direto com porcos.
Em abril de 2009, no final da estação de gripe sazonal do hemisfério Norte, apareceram os primeiros casos da pandemia de H1N1 que agora chega ao Brasil. O agente é resultante de um rearranjo que envolveu seis genes do vírus suíno de 1998 (formado pelo triplo arranjo genético porcos, aves e humanos) e dois genes de vírus suíno originados na Eurásia. É a quarta geração de descendentes do vírus que causou a gripe espanhola. Felizmente, muito menos agressivo do que seus ancestrais.

QUESTÕES:

1-Comente o artigo de Drauzio Varella, publicado na Folha.

2-Você concorda com a última frase do texto, em relação ao vírus H1N1: "Felizmente, muito menos agressivo do que seus ancestrais"?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Escreva uma narrativa que tenha como tema a gripe suína, a partir do ponto de vista de um médico que está internado em um hospital para se tratar da gripe.

2-Escreva uma narrativa como o mesmo tema, a partir do ponto de vista de um político com gripe suína.

3-Escreva uma dissertação que tenha como tema: Como evitar o pânico em época de gripe suína?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O PERIGO DO LIXO TÓXICO

Fonte; Folha online
30/07/2009
Jovens com deformações por contato com lixo tóxico ganham processo no Reino Unido
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da Efe, em Londres

Um grupo de 18 jovens que nasceram com deformações em seus corpos --e que atribuem o problema à exposição de suas mães a lixo tóxico durante a gravidez-- ganharam um processo contra a prefeitura da cidade industrial de Corby, no centro da Inglaterra, na quarta-feira (29).

Os jovens, cuja idade varia entre 9 e 22 anos, processaram a cidade de Corby com o argumento de que os defeitos que têm nas mãos e nos pés se devem ao fato de que suas mães sofreram os efeitos de um "coquetel atmosférico de materiais tóxicos".

Stephen Hird -29.jul.09/Reuters

Jovens com deformações posam com os pais no Reino Unido; juiz inglês considerou que as anomalias ocorreram devido a lixo tóxico
Os afetados, que apresentaram o caso ao Superior Tribunal de Londres, vinculam suas deformidades à mudança do lixo de uma antiga fábrica da produtora de aço British Steel, que fechou nos anos 80, para uma pedreira próxima.

As mães declaram que viviam ou visitaram Corby e algumas descreveram essa cidade como "poeirenta" ou "suja".

Embora a Prefeitura negue as acusações, o juiz do caso, Robert Akenhead, deu hoje a razão aos afetados ao ressaltar que "a poluição afetou as mulheres grávidas".

Após a divulgação do veredicto, os familiares manifestaram sua alegria, entre eles Audrey Bartfield, mãe de Dylan, de 13 anos, que nasceu com uma deformação na perna direita.

"Estou louca de felicidade. Sabíamos que tínhamos razão", disse Audrey, enquanto seu filho se declarou "muito feliz".

Chris Mallender, porta-voz da prefeitura de Corby, disse sentir-se "surpreso e decepcionado" com a decisão judicial e destacou que a instituição ainda acredita que "não há ligação alguma" entre o nascimento das crianças com deformações e o lixo tóxico.

QUESTÕES:
1-Comente a notícia.

2-Comente a expressão "coquetel atmosférico de materiais tóxicos".

3-Na sua opinião, uma prefeitura de uma cidade brasileira seria punida por permitir que empresas poluidoras fossem instaladas em sua cidade, se fossem comprovados danos à saúde dos trabalhadores?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Escreva uma narrativa que se passe em uma cidade contaminada por lixo tóxico. O protagonista é a primeira vítima de uma doença desconhecida que começa a atacar os moradores.

2-Escreva uma dissertação que tenha como tema: Indústrias poluidoras representam um grande risco para a saúde das pessoas e o meio ambiente.

3-Escreva uma crônica que tenha como título ou: QUEM VIVE NO LUXO PRODUZ MUITO LIXO.

domingo, 26 de julho de 2009

O PAPEL DO CIDADÃO NA MORALIZAÇÃO DA POLÍTICA

Fontes: O Estado de São Paulo e Jornal da Cidade, de Sergipe
26-7-2009

MELHORAR É POSSÍVEL!

Dora Kramer

O enunciado é conhecido: político não nasce em Marte nem dá em árvore. Se dispõe de mandato, está no Legislativo ou no Executivo, chegou lá por escolha do eleitorado. Em grande parte, votantes com experiência de 27 anos no ramo, sem contar os praticantes da era anterior ao regime militar. Portanto, se escorar na teoria Pelé (brasileiro não sabe votar) ou culpar a ditadura não exime ninguém da responsabilidade pela qualidade da escolha.

O período autoritário alimentou o analfabetismo político, interditou o surgimento de novas lideranças, afastou a política da sociedade, atrasou brutalmente o processo? Verdade. A mudança da capital do Rio para Brasília isolou os políticos num mundo à parte? Até certo ponto. Governos estaduais, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais estão “perto do povo” e nem por isso são centros de referência em termos de espírito público, boa conduta e consciência ética.

Na maioria dos casos, são instituições muito menos fiscalizadas e mais dadas a vários tipos de vícios insanáveis que aquelas localizadas na Praça dos Três Poderes e ao longo da Esplanada dos Ministérios.

Mudanças na legislação eleitoral e partidária, a chamada reforma política tal como é hoje concebida é a salvação da pátria? Nada mais falso. Se lei sozinha desse jeito em alguma coisa, o Brasil, com a forte vocação jurídica expressa numa Constituição extremamente detalhista, seria o paraíso da legalidade e da moralidade, no sentido de respeito à ética.

Menos de 30 anos corridos de democracia é muito pouco tempo face a quase um século de intermitências institucionais? Certamente, mas é essa a nossa condição e com ela é preciso lidar.

Muitas coisas são novas no Brasil e, no entanto, a sociedade aprendeu rapidamente a atuar dentro das novas regras. A adaptação à estabilidade monetária é a prova. O brasileiro incorporou o conceito e com isso consolidou um padrão de comportamento.

Não é, portanto, absurdo pensar que o cidadão possa fazer o mesmo na política: obrigar o agente público a se adaptar a um novo modelo de conduta. Como qualquer outro mercado, o eleitoral também é regido pela lei da oferta e da procura. Se há grande volume mercadoria podre em circulação na política, é porque há aceitação do produto.

Quando a neta do senador José Sarney telefona para o pai pedindo interferência para empregar o namorado na “vaga da família” no Senado, não age diferente de uma imensidão de brasileiros que compartilha da tese de que é bobo quem não tira vantagem de uma oportunidade favorável.

Tal tipo de atitude se manifesta no cotidiano das pessoas. Pobres, remediadas, ricas, cada uma de acordo com suas possibilidades e capacidades, raramente deixa passar a chance de obter um benefício, mesmo ao arrepio da boa ética.

Se o político depois de eleito pratica o fisiologismo em parceria com quem tem o poder de beneficiá-lo, se não for parlamentar “de opinião”, para se eleger é obrigado a ceder à sanha fisiológica de seus pretensos eleitores.

Mas, digamos que por força de uma hipotética e irrealista tomada de consciência coletiva ou por ação de um líder que se dispusesse a organizar o ambiente e conduzir um projeto de depuração cultural, o eleitor mudasse.

Mas mudasse de verdade, revogando a lei de Gérson nas pequenas coisas do dia a dia. Que passasse a incorporar o valor do caráter entre suas exigências eleitorais, buscando em cada candidato o mérito e não a capacidade de auferir proveitos.

Convertesse toda essa indignação à deriva em energia transformadora e dissesse: agora chega de gente de quinta. Olhasse para um deputado que se lixa para a opinião pública e sem cerimônia se orgulha da tolerância obtida em sua província, e se sentisse realmente ofendido.

Não desapareceriam os malfeitores. Mas, da mesma forma como hoje não há mais quem ouse sair defendendo que um pouquinho de inflação tem lá sua serventia, diminuiria a quantidade de políticos dispostos a abraçar a causa da transgressão de resultados.

Não precisam ser candidatos a santos. Basta apenas que renunciem às orgias de desfaçatez e se conduzam dentro dos marcos normais da civilidade, do respeito ao próximo e do acatamento das regras universais das pessoas que se pretendem razoavelmente sérias.

Político identifica a direção do vento, mede a força das marés e, quando se trata de ganhar votos, não contraria a natureza. Imposto num patamar mais escrupuloso de demandas, a consequência natural é que a escolha recaia sobre políticos que se enquadrem à nova filosofia.

Os que não se enquadram são naturalmente expelidos, rebaixados de importância ou acabam mudando por absoluta falta de aceitação de mercadoria podre no mercado eleitoral. Simples? Complicadíssimo.

Mas, o bom é sempre difícil, o ótimo quase impossível e o excelente é o motor da humanidade na busca da construção de um mundo cada vez melhor.

QUESTÕES:

1-Comente o artigo de Dora Kramer.

2-Qual é o papel do cidadão no processo de moralização da política?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Escreva uma narrativa que tenha como protagonista um cidadão que resolve liderar uma campanha de moralização política no país.

2-Escreva uma dissertação que tenha como tema: O QUE É NECESSÁRIO PARA ALIJAR DA POLÍTICA OS MAUS GESTORES?

3-Escreva uma crônica que tenha como tema: Chega de ratazanas e raposas na política.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

FAZER UMA NOVA ARQUITETURA NO MUNDO

Fonte: Folha de São Paulo

São Paulo, sexta-feira, 24 de julho de 2009

TENDÊNCIAS/DEBATES

Por uma nova arquitetura global
FLÁVIA PIOVESAN


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Em uma arena cada vez mais complexa, fundamental é avançar na afirmação da justiça global nos campos social, econômico e político
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O S PAÍSES ricos decidiram expandir a cúpula do G8 (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Rússia) para incluir as economias emergentes, transformando-o em G14 (com a adição de Brasil, Índia, China, África do Sul, México e Egito), com vistas a fortalecer a "governança global".
No dizer de Sarkozy: "Parece pouco razoável tratar das mais importantes questões internacionais sem a África, a América Latina e a China". Para Obama, é inadmissível enfrentar os desafios globais "sem a representação adequada de continentes inteiros como a África e a América Latina nos fóruns internacionais". Atualmente, cerca de 80% da população mundial vive em países em desenvolvimento. Dois deles -Índia e China- totalizam quase um um terço da população mundial.
Contudo, os 15% mais ricos concentram 85% da renda mundial, enquanto os 85% mais pobres detêm apenas 15%, sendo a pobreza a principal causa mortis do mundo. O próprio FMI, na voz de Michel Camdessus, já advertiu que "a pobreza é uma ameaça sistêmica fundamental à estabilidade em um mundo que se globaliza".
Instaura-se um círculo vicioso em que a desigualdade econômica fomenta a desigualdade política no exercício do poder no plano internacional e vice-versa. Atente-se para o fato de que 48% do poder de voto no FMI concentra-se em sete Estados (EUA, Japão, França, Reino Unido, Arábia Saudita, China e Rússia) e, no Banco Mundial, 46% do poder de voto concentra-se nesses mesmos Estados.
Há que fortalecer a democratização, a transparência e a "accountability" dessas instituições, ecoando a voz dos países em desenvolvimento. Esse mesmo imperativo é lançado à ONU, criada em 1945, na geopolítica do pós-guerra, da qual participavam em média 60 Estados -hoje a ordem internacional conta com quase 200.
Daí a necessidade de revitalizar o papel das Nações Unidas e assegurar aos seus órgãos (principalmente ao Conselho de Segurança) maiores legitimidade e representatividade.
Além de ter de assegurar espaços decisórios mais democráticos, a agenda internacional enfrenta um desafio central: garantir o direito ao desenvolvimento, em sua dimensão nacional e internacional, o que envolve: a) a proteção às necessidades básicas de justiça social; b) o componente democrático na formulação e implementação de políticas públicas; e c) a adoção de políticas nacionais, bem como de cooperação internacional.
Observa Thomas Pogge que, "em 2000, os países ricos gastaram cerca de US$ 4,650 bilhões em assistência ao desenvolvimento aos países pobres. Contudo, venderam aos países em desenvolvimento aproximadamente US$ 25,438 bilhões em armamentos -o que representa 69% do total do comércio internacional de armas. Os maiores vendedores de armas são: EUA (com mais de 50% das vendas), Rússia, França, Alemanha e Reino Unido".
No mesmo sentido, afirma Amartya Sen: "Os principais vendedores de armamentos no mercado global são os países do G8, responsáveis por 84% da venda de armas no período de 1998 a 2003. (...) Os EUA, sozinhos, foram responsáveis pela venda de metade das armas comercializadas no mercado global, e dois terços dessas exportações foram direcionadas aos países em desenvolvimento".
Esses desafios se inserem em um momento estratégico, marcado não apenas pela reinvenção da arquitetura internacional mas também por uma política renovada no campo das relações internacionais por parte da única superpotência mundial.
Se a era Bush adotou como vértice uma política internacional guiada pelo unilateralismo extremo, pelo direito da força e pelo "hard power", a era Obama aponta a uma política internacional guiada pelo "clever power", a propiciar o multilateralismo e o diálogo intercultural, transitando da ideia do "choque civilizatório" para a ideia do "diálogo civilizatório".
Desenvolvimento, segurança, democracia e direitos humanos são termos inderdependentes e inter-relacionados. Em uma arena cada vez mais complexa, fundamental é avançar na afirmação da justiça global nos campos social, econômico e político, a compor uma nova arquitetura capaz de responder aos desafios da agenda contemporânea, da nova dinâmica de poder no âmbito internacional e da necessária transformação das organizações internacionais, em um crescente quadro de responsabilidades compartilhadas.

FLÁVIA PIOVESAN, 40, doutora em direito constitucional e direitos humanos e professora dos programas de pós-graduação da PUC-SP e da PUC-PR, é procuradora do Estado de São Paulo e membro da Força Tarefa da ONU (UN high level task force) para a Implementação do Direito ao Desenvolvimento.


Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

QUESTÕES:

1-Comente esse conceito de nova arquitetura global, presente no artigo.

2-Como você descreve a velha arquitetura global?

PROPOSTAS TEMÁTICAS:

1-Escreva uma narrativa que tenha como protagonista um líder revolucionário, que age muito mais do que fala, e as resistências às suas atitudes.

2-Escreva uma dissertação que tenha como tema: É possível conceber uma nova arquitetura global?

3-Escreva uma carta á Flávia Piovesan levantando os pontos principais do seu artigo.